Cultura

Símbolo da cultura tchokwe

Manuel Albano |

As máscaras angolanas, na sua generalidade, têm uma relação com a música, dança e as cerimónias rituais. A maior parte das áreas socioculturais de Angola considera que as máscaras detêm um poder sobrenatural que consagra as instituições e servem de mediadores entre o mundo dos vivos e dos espíritos dos antepassados, para manter a ordem e harmonia nas comunidades.

Máscara txihongo está ligada ao poder e à resolução dos conflitos da cultura tchokwe
Fotografia: Maria Augusta | Edições Novembro

Em Angola, as máscaras são usadas apenas por homens na condição de circuncidados e é interdito às mulheres e aos indivíduos de sexo masculino ainda não circuncidados. A Mukixi Wa Txihongo, apresentada nesta edição do Jornal de Angola, no seguimento da rotatividade das colecções do Museu Nacional de Antropologia, pertence ao grupo etnolinguístico tchokwe, que detém os grandes mestres na execução de máscaras. Ela representa um antepassado masculino.
O indivíduo que usa essa máscara, segundo o antropólogo cabo-verdiano Augusto Mesquitela Lima (1929-2007), é sempre um membro da família real ou alguém de confiança do mesmo. É um dançarino profissional que percorre as aldeias, dançando e recebendo dinheiro e presentes pela sua exibição. A sua coreografia, caracterizada por uma série de movimentos de ancas e braços que denotam dureza e firmeza, é toda ela masculina.
Augusto Mesquitela Lima, que era um africanista e visto como um ancião entre a tribo dos antropólogos, esteve em Angola onde trabalhou no Instituto de Investigação Científica, acabando por  dirigir o Museu de Angola, em Luanda.
A máscara, algumas vezes, como símbolo do seu género e ao mesmo tempo para demonstrar a sua nobreza, traz nas mãos um pequeno machado designado por tximbuya (símbolo do poder e da força), usado somente pelos chefes locais por ocasiões solenes.
A presente máscara é considerada entre os tchokwe como a mascote de todas as técnicas e dos movimentos de quase todos os bailarinos, por isso, é tida como representante da coreografia tradicional dos povos do Leste de Angola. Ela é feita de resina e entre cascas de árvore batida.
Ostenta uma saia de fibras vegetais e um fato que apresenta motivos verticais, ao contrário da maioria dos mascarados. A máscara Txihongo está ligada ao poder, sobretudo na resolução dos problemas comunitários e é, ao mesmo tempo, símbolo de riqueza e de fertilidade dos chefes.

Parcerias com instituto

O chefe de departamento da Educação e Animação Cultural (DEAC), do Museu Nacional de Antropologia, Massokolo Nsituatala, disse ao Jornal de Angola que a instituição realizou de 29 de Maio a 29 de Junho, uma formação dirigida aos estudantes finalistas do Instituto Médio Técnico de Hotelaria e Turismo “Terra do Ngola”, localizado na centralidade do Kilamba.
Massokolo Nsituatala explicou que foi um total de dez estudantes, sendo sete rapazes e três raparigas do curso de Hotelaria e Turismo.
Durante os dois meses de aprendizado, que culminou com a entrega de certificados de fim de estágio, disse o responsável, foram ministrado temas sobre a história do museu, que também foi uma casa de nobreza antes da independência.
O técnico sénior do museu realçou que os estudantes, durante o estágio, aumentaram os seus conhecimentos sobre o organigrama da instituição, os gestores, os diferentes departamentos e a especificidade funcional de cada secção.
O estágio, que foi ministrado no período da manhã das 9h00, às 13h00, permitiu igualmente aos estudantes conhecerem as 14 salas distribuídas por dois andares, que abrigam peças tradicionais, designadamente utensílios agrícolas, de caça e pesca, fundição de ferro, instrumentos musicais, jóias, peças de pano feito de casca de árvore e fotografias dos povos khoisan.
No final do curso, foram transmitidos aos estagiários conhecimentos gerais sobre alguns museus de Luanda, tais como os de História Natural, de História Militar, da Moeda, da Geologia e Minas, bem como do Palácio de Ferro e do Memorial António Agostinho Neto.

  Experiência positiva para os estudantes


Nelito Kissamba
, estudante finalista do curso de Hotelaria e Turismo, do Instituto Médio Técnico “Terra do Ngola”, disse que o estágio foi proveitoso, embora a sua formação académica esteja voltada para as agências de viagem e turismo.
Durante o período de formação, disse o estudante, tiveram a possibilidade de poder ter contacto com uma variedade de peças que simbolizam os mais variados rituais dos povos angolano, em particular, e africanos no geral.
As áreas da catalogação e pesquisa, afirma Nelito Kissamba, foram as que mais lhe interessaram durante o estágio. “Quando fomos informados que o estágio seria no museu, não me agradou muito, porque sempre pensei em estagiar numa agência de viagem”, disse. 
Nelson Martins Filipe também finalista, recordou que o museu por ser uma instituição pública que vai assegurando, entre outras atribuições, a divulgação do acervo cultural, nos permitiu ter uma noção mais concisa sobre a história e cultura dos angolanos.
Uma experiência que  considera positiva, o estudante realçou, que melhorou e aumentou os seus conhecimentos sobre conservação, preservação, catalogação e o tratamento específico que as peças são submetidas para a sua manutenção e durabilidade.
Feliz por terminar o estágio no Museu Nacional de Antropologia, Nelson Martins Filipe garante que, doravante, vai procurar incentivar outros estudantes a optarem por cursos que estejam ligados à museologia.
Eduarda Lando António disse que o projecto “A Peça do Mês”, um dos programas de divulgação das peças no museu, tem melhorado os conhecimentos dos estudantes, fundamentalmente, e aumenta o nível de informação sobre a herança etnográfica que descreve a vivência dos diferentes grupos etnolinguísticos de Angola.
A estudante explicou que foram as áreas de recepção e dos guias que mais a encantaram e procura continuar a explorar mais sobre a história cultural das mais variadas etnias, grupos e subgrupos dos povos das mais variadas regiões no país. 
Fundado em 13 de Novembro de 1976, o Museu  Nacional de Antropologia foi a primeira instituição museológica criada após a independência do país.

Tempo

Multimédia