Sismo destrói o património mundial


8 de Maio, 2015

Fotografia: Reuters

A UNESCO anunciou ontem em comunicado de imprensa que o sismo ocorrido no Nepal destruiu 90 por cento dos locais no vale de Katmandu classificados como Património da Humanidade.

“Há danos enormes e irreparáveis no património cultural do Nepal na sequência do sismo de há semanas”, refere o documento.
O número de vítimas mortais e de feridos do sismo de magnitude 7,9 na escala de Richter que abalou o Nepal no dia 25 de Abril não pára de crescer. Há alguns sobreviventes nos escombros, o país tenta recompor-se e a ajuda humanitária começa a chegar. A avaliação das perdas patrimoniais está no começo, apesar de se saber que muitos dos sete locais classificados pela UNESCO como Património da Humanidade foram muito atingidos pelo terramoto.
A avaliação preliminar da UNESCO revela que os principais estragos se verificaram no vale de Katmandu, principalmente nas praças Durbar (o nome dado aos locais em frente aos templos no Nepal) de Patan, de Katmandu e de Bhaktapur, “quase inteiramente destruídas”. Melhores notícias vêm de Lumbini, o local do nascimento de Buda, ou do parque Nacional de Chitwan.
Também o parque nacional de Sagarmatha, que abarca o Monte Evereste, foi “gravemente afectado”.
Ontem, a agência de notícias AFP salientou o desalento da população face a violência do sismo, surgido após um período de guerra civil. “Sobrevivemos a uma guerra humana, mas neste caso é uma guerra da natureza contra nós”, disse Prakash Sharma, comandante adjunto da Polícia de Patan, um dos três centros monumentais mais importantes do vale de Katmandu.
O oficial da Polícia referiu igualmente o risco de pilhagens de peças históricas entre os escombros.
Três dos palácios reais de Katmandu, Patan e Bhaktapur estão em ruínas, confirmou a mesma agência noticiosa, que menciona “templos arrasados, estátuas em pó. 
“O sismo atingiu 90 por cento dos sítios classificados. É difícil avaliar as perdas”, disse o director-geral do Departamento governamental de Arqueologia, Bhesh Narayan Dahal, que está já a contabilizar as perdas e a inventariar peças recuperadas dos escombros.
As autoridades estão também preocupadas com a possibilidade de terem sido roubadas peças valiosas durante os primeiros dias de confusão após a catástrofe natural.
“Absolutamente dramáticos” é assim que a UNESCO avalia os estragos actuais nas jóias do vale de Katmandu, nas três povoações e nos palácios reais, templos hindus e aldeias tradicionais.
Apesar de a directora-geral da UNESCO, Irina Bokova, ter dito em comunicado que estava “chocada com o impacto devastador na herança cultural única” do país, mencionando “danos extensos e irreversíveis” no vale de Katmandu, o representante daquela agência da ONU no Nepal, Christian Manhart, fala já em reconstrução.

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