Sítios de Cambambe elevados a Património

Marcelo Manuel| Cambambe
19 de Setembro, 2014

Fotografia: Nilo Mateus

A colocação de placas de identificação da elevação da antiga fábrica de Fundição de Ferro de Nova Oeiras e a Fortaleza de Massangano a Património Histórico e Cultural Nacional marcou ontem a abertura da quinta edição da Feira do Dondo, no Cuanza Norte.

Simultaneamente, foi assinado um protocolo entre o Ministério da Cultura, o Governo do Cuanza Norte e a Odebrecht, com vista à revitalização das ruínas de Cambambe.
O secretário de Estado da Cultura, Cornélio Calei, disse que o Executivo, através do Ministério da Cultura e do Governo do Cuanza Norte, continua empenhado na criação de programas destinados ao desenvolvimento cultural e turístico da região, através de actos de restauro, conservação do património material e espiritual.
Cornélio Calei sublinhou que a província foi um importante e lendário território para Nzinga Mbandi, constituindo a fonte de resistência que deu lugar às lutas para o alcance da libertação, reconciliação e desenvolvimento nacional.
O programa de preservação dos monumentos e sítios relacionados com a vida heróica da Rainha Njinga Mbandi, soberana do Ndondo e Matamba, faz parte das determinações emanadas pelo Presidente da República, José Eduardo dos Santos, aquando da sua visita ao Aproveitamento Hidroeléctrico de Laúca, recordou o secretário de Estado.
O ressurgimento da Feira do Dondo, há cinco anos, permitiu a identificação de vários monumentos e sítios da região do Dondo, o que, em seu entender, possibilitou a criação do projecto denominado “Corredor do Cuanza”. Cornélio Calei destacou ainda os feitos dos nacionalistas e escritores Francisco de Assis Júnior e António Jacinto, filhos do Cuanza Norte, devotos das letras, da cultura e nacionalismo angolano, que com espírito de dedicação e abnegação contribuíram para a legitimação, conhecimento e consolidação da angolanidade.
O governador Henrique André Júnior salientou, na ocasião, que a recuperação dos diversos sítios culturais e históricos, com destaque para os do município de Cambambe, faz parte das atenções do Governo Provincial.
Esta prática, frisou, é uma demonstração clara e inequívoca da vontade do Executivo em desenvolver iniciativas que tornem possível a manutenção, reabilitação, restauro e valorização do referido património, permitindo que a nova geração conheça o passado do nosso país.
Henrique André Júnior garantiu que os trabalhos estão a ser feitos no sentido de permitir que a feira se assuma como um factor de recuperação, recreação e lembrança histórica, onde os povos vindos de diversas zonas do país, como as Lundas, Quibala e Malanje, se reuniam para comercializar os seus produtos, trazidos ou escoados através do Corredor do Cuanza.
De periodicidade anual, a Feira do Dondo é uma iniciativa durante a qual são expostos diversos produtos de artesanato e agrícolas, e que este ano conta com a participação de 128 expositores, das províncias do Cuanza Norte, Malanje, Cuanza Sul e Luanda.
A quinta edição da Feira do Dondo, que encerra amanhã, insere-se no programa do II Festival Nacional de Cultura (FENACULT), que coincide com o mês do Herói Nacional, em homenagem ao primeiro Presidente da República, Agostinho Neto.
O Dondo situa-se na margem direita do Rio Cuanza e na época colonial representou uma importante zona mercantil, razão pela qual, no século XVIII, a então administração portuguesa construiu nesta cidade um porto fluvial.

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