Testemunho único de civilização viva


13 de Janeiro, 2015

Fotografia: Garcia Mayatoko | Mbanza Congo

A coordenadora do projecto “Mbanza Congo Cidade a Desenterrar para Preservar”, Sónia Domingos, destacou a importância de alguns critérios históricos, as trocas comerciais ou a riqueza arqueológica da cidade para a sua inscrição no património mundial da UNESCO.

A arqueóloga informou que um dos critérios relevantes é também o intercâmbio ímpar de valores humanos demonstrado por esta localidade durante um determinado tempo da sua História, ao ser uma área importante do mundo no desenvolvimento da arquitectura, das artes monumentais, do planeamento urbano e desenho de paisagens.
Mbanza Congo, disse, mostra um testemunho único de uma civilização ainda viva, cujo mosaico cultural está associado às tradições. A coordenadora do projecto assegurou que são estas as condições e fontes históricas que o Ministério da Cultura dispõe para justificar a inscrição de Mbanza Congo na lista do património mundial, cujo dossier final é entregue até finais de Janeiro deste ano à UNESCO.
O projecto para a inscrição de Mbanza Congo na lista do património mundial foi lançado em 2007 com a realização de uma mesa redonda internacional sob o tema “Mbanza Congo, Cidade a Desenterrar para Preservar”. Actualmente o projecto está já na sua fase derradeira.

Redacção do dossier


A ministra da Cultura, Rosa Cruz e Silva, que esteve de visita a Mbanza Congo, para o acto central do Dia da Cultura Nacional, informou que o dossier final de candidatura da cidade está a decorrer dentro das expectativas do Executivo.
A dirigente disse, momentos antes de deixar a antiga capital do Reino do Congo, que está já em conclusão a redacção do dossier pelos especialistas. “Depois teremos um encontro com os especialistas para rever cada ponto e todos os campos relacionados aos requisitos que a UNESCO recomenda para um documento com estas características”, disse a ministra.
Rosa Cruz e Silva enumerou como aspectos a serem revistos os mapas cartográficos, a fundamentação dos vestígios arqueológicos, os resultados laboratoriais, o texto relacionado com o valor excepcional da cidade, que considerou de denso”, em termos de fundamentos. 
Relativamente à preservação e divulgação dos  hábitos locais, Rosa Cruz e Silva realçou ao que considerou de “exercício de transferência” de legados para as novas gerações, de modo a fazerem face ao mundo da globalização, interagindo em pé de igualdade com as demais culturas. Numa outra vertente, a dirigente disse que o ministério vai intensificar a divulgação da legislação, para que os criadores saibam mais sobre os incentivos que o Estado prevê para a promoção das artes. 

A cidade antiga


Mbanza Congo é uma cidade e município do Zaire e tem 68 mil habitantes. Foi a capital do antigo reino do Congo e designou-se São Salvador do Congo até 1975. A cidade foi fundada antes da chegada dos portugueses e era a capital de uma dinastia que governava desde 1483. O local foi abandonado durante as guerras civis que eclodiram no século XVII.
A cidade foi o lar dos “Mwene Congo”, monarcas que governavam o Reino do Congo. No ano de 1549, por influência dos missionários portugueses, foi construída a Sé Catedral de São Salvador do Congo, a mais antiga da África subsaariana, hoje denominado Nkulumbimbi, que foi elevada ao status de catedral em 1596. O papa João Paulo II visitou a catedral em 1992.
O nome São Salvador do Congo apareceu pela primeira vez na História em cartas enviadas por Álvaro I do Congo ou Álvaro II do Congo, entre os anos de 1568 e 1587. A cidade voltou a ter a denominação de Mbanza Congo, após a independência de Angola em 1975.
Quando os portugueses chegaram, Mbanza Congo já era uma grande cidade, a maior da África sub-equatorial.
Durante o reinado de Afonso I, as edificações de pedra foram criadas, incluindo o palácio e muitas igrejas.
Em 1630 foram relatados 4.000 a 5.000 baptismos na cidade, com uma população de 100.000 pessoas. A cidade foi saqueada várias vezes durante as guerras civis do século XVII, principalmente na batalha de Mbwila e foi abandonada no ano de 1678, sendo reocupada em 1705 por seguidores de Dona Beatriz Kimpa Vita, a partir desta época a cidade não foi mais abandonada.

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