Xigubo na lista de Património Mundial


8 de Agosto, 2014

Fotografia: Reuters

As autoridades moçambicanas preparam-se para submeter, brevemente, à Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura (UNESCO), a dança tradicional Xigubo a Património Imortal e Imaterial da Humanidade.

A candidatura vai ser dirigida à UNESCO que, aceitando-a, vai fazer passar para quatro o número expressões culturais registadas por Moçambique naquele organismo das Nações Unidas, sendo a Ilha de Moçambique, em Nampula, o Nyau, em Tete, e a Timbila, de Zavala, em Inhambane.
A expressão cultural Xigubo é predominantemente dançada no sul do país, mais concretamente nas províncias de Maputo e Gaza.
O facto foi revelado recentemente pelo Presidente da República, Armando Guebuza, durante um comício a que presidiu na Vila da Bela Vista, distrito de Matutuine, província de Maputo, uma região que se julga ser o berço desta dança “guerreira”, também praticada na África do Sul e Suazilândia.
Aliás, o Presidente da República, expressando-se em “ronga” - língua falada nesta região do país - disse que o Executivo está já numa fase adiantada de preparação da documentação necessária com vista a fazer do Xigubo uma expressão cultural da humanidade.
“O Xigubo é uma dança que não deve só pertencer a Moçambique. Ele é praticado na África do Sul e Suazilândia. Não estou contra isso porque quando vejo o Xigubo daqui (Matutuine), sinto que estou a ver o verdadeiro Xigubo”, afirmou o Chefe do Estado.
Armando Guebuza referiu ainda que esta dança, do mosaico cultural nacional, é admirada em todo o mundo, não só devido à sua beleza, como também às fortes mensagens que ela inclui.
“Por isso, o nosso Governo está a trabalhar no sentido de se valorizar a dança e fazer dela um património mundial”, disse, em “ronga”, o Presidente moçambicano à população da Bela Vista, que recebeu a “boa nova” com muita alegria. Desde 2010 que Moçambique está a preparar o dossier destinado a formalizar a proposta para que a UNESCO declare o “Xigubo” Património Imortal e Imaterial da Humanidade, embora este trabalho tenha ficado marcado pela falta de informação sobre aquela que é chamada “a dança dos guerreiros”.
Xigubo é uma dança na qual, com base na expressão corporal, se procura mostrar a aptidão física dos guerreiros assim como valores da sociedade.
Era dançado para festejar as vitórias militares, também como forma de preparar os guerreiros, física e militarmente, razão pela qual foi apelidado de “dança dos guerreiros”. José Craveirinha, em “O folclore moçambicano e as suas tendências”, explica que Xigubo é uma dança de cunho acentuadamente guerreiro e a sua origem é de responsabilidade da grande bélica tribo zulu.
“Nem o ronga, nem o changana dançavam Xigubo antes dos zulus invadirem as suas terras e imporem muitos dos seus costumes, embora, por sua vezes adoptassem hábitos próprios dos povos submetidos pela força das armas”, defende Craveirinha na referida obra.
Além disso, consta dos dados recolhidos pelo sector da Cultura no país, que a prática do Xigubo vem desde a chegada e fixação do povo Zulu de sul de África, vivendo em territórios actualmente correspondentes à África do Sul, Lesoto, Suazilândia, Zimbabwe e Moçambique, isto quando, por volta de 1740, Dingiswayo tomou conta do poder da tribo M’thethwa e iniciou uma política de expansão, submetendo várias tribos vizinhas à sua autoridade.

Que dança é esta

Informações facultadas pelo Ministério da Cultura, fruto da recente recolha que o Governo moçambicano se empenha a fazer e que vai ser apresentada à UNESCO, procuram explicar a origem, significado e formas como se executa o Xigubo, cujo nome provém da simples imitação onomatopaica identificada com sons “gu...bo!!! gu...bo!!!” emitido pelos tambores de tom baixo e o prefixo ronga “xi”.
Também tida como uma táctica militar, o Xigubo consiste em alinhar um determinado número de homens numa ou mais filas, conforme o número de dançarinos, devidamente adornados com penas, enfeites de fibras e pelos nos braços e pernas, colares de sementes, entre outros, vestindo uns saiotes de panos à zulu e sobraçando o clássico (xitlhango) de pele curtida e empunhando as tradicionais zagaias.
Em cada extremo da fila dos dançarinos situam-se duas bailarinas voltadas de frente uma para a outra. Elas têm um papel dissociado (estética do contraponto) da dança executada pelos homens. À percussão do tambor (n’goma) ou tambores, sempre de sonoridade grave no Xigubo, as bailarinas executam maneios de quadris sincronizados entre si e a cadência cava das batidas.

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