Património precisa de melhor inventário

Manuel Albano |
16 de Março, 2016

Fotografia: Kindala Manuel

O inventário do património material e imaterial angolano precisa de ser mais abrangente e amplo, disse na sexta-feira em Luanda o antropólogo moçambicano Marílio Wane.

O investigador, que visitou a comunidade da Ilha de Cabo, em Luanda, no âmbito do seminário sobre “O Reforço das Capacidades Nacionais para a Salvaguarda do Património Cultural Imaterial na África Lusófona”,  disse estar interessado em partilhar a experiência do seu país com os técnicos nacionais.
O antropólogo realçou que o Instituto Nacional Sócio -Cultural do Ministério da Cultura de  Moçambique desenvolve, em parceria com a UNESCO, vários projectos de inventários comunitários  sobre o património material e imaterial.
Marílio Wane acrescentou que este trabalho permite fazer um registo amplo dos hábitos das comunidades. “Em Moçambique, por exemplo, já existe muito material recolhido que tem ajudado a identificar diversas manifestações culturais nunca antes registadas.”
A antropóloga Nazaré Ceita,  representante da Comissão do Património Cultural Imaterial de São Tomé e Príncipe, pediu a colaboração de todas as comunidade, para de fornecer dados verdadeiros e reforçar a capacidade de preservação do património material e imaterial.
Nazaré Ceita disse que se pretende trabalhar junto das comunidades, de maneira a criar um inventário capaz de ajudar a salvar as manifestações artísticas e deixar um legado às futuras gerações. A representante da UNESCO Jana Weydt explicou que este trabalho só é possível se existir a colaboração das comunidades. “O trabalho permite reforçar as capacidades das instituições angolanas na preservação do património material e imaterial”.
O envolvimento de todos, disse, ajuda a identificar mais facilmente esse património pouco conhecido e torná-lo conhecido nas comunidade: “Precisamos que as pessoas forneçam depoimentos sobre a história da sua comunidade e objectos simbólicos”.
A directora-adjunta do Instituto Nacional de Património Cultural (INPC), Cecília Gourgel, informou que os trabalhos na comunidade da Ilha do Cabo prosseguem até sexta-feira.
Entre as várias manifestações culturais a constarem no inventário da comunidade da Ilha do Cabo destacam-se a gastronomia, as danças, o grupo carnavalesco União Mundo da Ilha, a Igreja do Cabo, o rito de salga do peixe, as florestas e plantas medicinais, as parteiras tradicionais, a actividade pesqueira, a indumentária, os provérbios, mitos e canções populares.
O seminário tem a participação de 20 técnicos de vários institutos culturais do país, numa iniciativa conjunta do Ministério da Cultura e da UNESCO, com o apoio do Governo da Noruega, através do Fundo do Património Cultural Imaterial. O seminário tem como objectivo a preservação do bem cultural imaterial em Angola, cujo processo de listagem está em curso, e sensibilizar a sociedade para a sua salvaguarda.

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