Cultura

Peça da Companhia JGM apresentada no Cazenga

Manuel Albano

O espectáculo de teatro “Nós matámos o cão tinhoso”, da Companhia João Garcia Miguel (JGM), exibe hoje às 19h00, no Centro de Animação Artística do Cazenga (Anim’art), inserido na edição 2018 do Festival Internacional de Teatro do Cazenga (Festeca).

Companhia portuguesa exibe hoje no Festeca o espectáculo “Nós matámos o cão tinhoso”
Fotografia: DR

A peça de 1964 é vista como o projecto literariamente moçambicano lançado por Luís Bernardo Honwana na década de 60, que faz do universo moçambicano o centro de análise das suas narrativas.
A relação dialéctica colonizado/colonizador é dada, pelas formas mais subtis, por meio de várias personagens e situações de exploração, incompreensão, injustiça, alienação, desalienação, sonho e realidade.
Aparentemente desdramatizada, a peça “Nós matámos o cão tinhoso” é narrada por uma criança e um jovem, que concentram em si toda a inocência, ingenuidade e pureza infantil. De acordo com a sinopse, a novela vai-se revelando com um grau de violência afectiva crescente.
De facto, os espectadores são inicialmente introduzidos numa “estória”, num relato aparentemente sem importância de maior, dado que a voz do início imprime à narração um ritmo calmo, do qual resulta, num primeiro momento de leitura, qualquer coisa como um clima tranquilo.
De imediato, a peça dá a nítida sensação de que não há uma necessidade apressada de meter o espectador no real objectivo da história: o tempo da narração custa a passar, as informações chegam muito lentamente, como que indiciando nada haver de muito forte ou urgente a ser dito.
Com direcção e encenação de João Garcia Miguel, interpretação e co-criação de Sara Ribeiro e Frederico Barata e música de bateria e percussão de Ricardo Martins, esta desadequação de um título trágico “Nós matámos o cão tinhoso”, com um ritmo inicial tão “pachorrento”, causa incómodo ao espectador, pois este não percebe tais razões.

Distinção ao encenador
O director e encenador da Companhia JGM de Portugal, João Osório Miguel Garcia dos Santos, é homenageado hoje, às 17h00, no anfiteatro do Anim’art, no programa das actividades do XIII Festival Internacional de Teatro do Cazenga (Festeca).
De nacionalidade portuguesa, o homenageado é director do Teatro Ibérico em Lisboa e do Teatro Cine de Torres Vedras. Desde 2013 que a instituição que dirige mantém uma estreita relação de parceria e cooperação com a Associação Globo Dikulu - Acção para o Desenvolvimento Juvenil e o Centro de Animação Artística do Cazenga (Anim’art).

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