Peças roubadas do Museu preocupam as autoridades

António Capitão | Uíge
20 de Abril, 2016

O director provincial da Cultura do Uíge disse, na segunda-feira, que várias pessoas ligadas ao sector estão mobilizadas para a procura e identificação de peças museológicas saqueadas do Museu Etnográfico do Congo, no período entre 1992 a 1994, altura em que a província ficou ocupada pelas extintas forças militares da UNITA.

José Caricoco Cuxiquina, que falava por ocasião do Dia Internacional dos Monumentos e Sítios, disse que a maior parte dos artefactos extraviados foram roubados por cidadãos congoleses, que vandalizaram também a maior parte das instituições públicas durante o período de guerra.
O director provincial da Cultura acredita que as peças museológicas roubadas do Museu Etnográfico do Congo tiveram a República Democrática do Congo como primeiro destino e só depois é que foram vendidas a coleccionares europeus, com destaque para os museus da Itália. “Espero que esse processo de procura e identificação das peças roubadas culmine com a recuperação das mesmas e sejam devolvidas ao museu.”
 Dentre a variedades de peças desaparecidas do museu destaca-se o crânio de um elefante, que se encontrava à entrada do edifício, a estátua da Mamã Nzinga, que simboliza  a mulher bakongo, diversos batuques utilizados pelo povo da região antes e durante o período colonial, e a estátua da sereia, que servia para preservar a história desta figura mitológica.
 Em saudação ao 18 de Abril, Dia Internacional dos Monumentos e Sítios, um grupo de alunos do primeiro ciclo do ensino secundário, provenientes das aldeias Senga e Nganakamana visitaram, segunda-feira, o Museu Etnográfico do Congo e o edifício da antiga cadeia da PIDE-DGS.
Os alunos constataram no local que no Museu Etnográfico do Congo restam apenas alguns artefactos que preservam a história e a cultura da região, bem  como algumas máscaras, estatuetas, utensílios domésticos, de caça e pesca, quadros de pintura e reportagens fotográficas de alguns monumentos e sítios da região.
 “As visitas dos jovens estudantes às duas infra-estruturas teve como objectivo dar-lhes a conhecer os factos e protagonistas históricos da região, a sua origem, cultura, tradição, e outros aspectos ligados à evolução sociocultural, económica e política”, disse José Cuxiquina.
No Uíge estão cadastrados vários monumentos e sítios, como é o caso da Missão Católica e a Fortaleza de S. José de Nkiji, construídas no século XVII no município de Bembe, e o túmulo de D. António, último Rei do Congo, que tombou na célebre batalha de Ambuíla, a Lagoa do Feitiço, no município do Dange Quitexe, as pinturas rupestres da Cabala, no Negage, e o túmulo de Mbemba Ngango, antigo militar do Rei Makatete na resistência contra a ocupação colonial da região do Uíge.
O Dia Internacional dos Monumentos e Sítios foi instituído em 1982 pelo Conselho Internacional de Monumentos e Sítios (ICOMS) e aprovado pela UNESCO no ano seguinte, com o objectivo de sensibilizar os Estados membros a diversificar, proteger e conservar o património cultural.

capa do dia

Get Adobe Flash player




ARTIGOS

MULTIMÉDIA