Cultura

Pepetela vence prémio Correntes d’Escritas

O escritor Artur Pestana Pepetela venceu ontem, o prémio literário Casino da Póvoa 2020, do Festival Correntes d’Escritas, a mais antiga distinção do género em Portugal, actualmente na 21ª edição, pelo livro “Sua Excelência de Corpo Presente”.

Júri escolheu a obra do angolano entre as várias em concurso de autores lusófonos e ibéricos
Fotografia: Paulino Damião | Edições Novembro | Arquivo


O autor, de 78 anos, ganhou um prémio no valor de 20 mil euros e é o primeiro autor africano a ser distinguido com o troféu máximo, pelo festival de literatura que junta escritores de expressão lusófona e ibérica.
A entrega do prémio acontece este sábado, às 18h00, durante o encerramento do festival, mas o autor já anunciou que não vai estar presente, por ter sido operado recentemente. Por isso um representante da editora Dom Quixote vai receber o prémio.
O júri, constituído por Ana Daniela Soares, Carlos Quiroga, Isabel Pires de Lima, Paulo Mendes Coelho e Valter Hugo Mãe, atribuiu o prémio a Pepetela, por unanimidade, destacando “a originalidade do estratagema narrativo eficaz para denunciar com ironia uma história de nepotismo e abuso de poder próprios de sistemas totalitários” e manifestando-se “sensível à dimensão antecipativa da ficção do autor, que estabelece fortes pontos de contacto com a realidade actual”.
Entre os mais de 120 livros a concurso, o autor concorria, entre outros, com títulos e autores de renome da lusofonia, como Leonardo Padura com “Transparência do Tempo”, Valério Romão com “Cair para dentro”, Joana Bértholo com “Ecologia”, Pedro Juan Gutiérrez e o “Caos”, Mia Couto com “O Bebedor de Horizontes”, ou Kalaf Epalanga e “Também os brancos sabem dançar”.
A 21ª edição do Correntes d'Escritas, que este ano é dedicada à literatura catalã, tem ainda como destaque até o encerramento, sábado, vários autores. Para o vereador da Cultura da Póvoa de Varzim, Luís Diamantino, essa é uma grande novidade. "A literatura catalã está cá em grande com exposições. Além de Barcelona também convidamos outras cidades a fa-zerem parte do evento. Quanto mais cidades que se dedicam aos livros estiverem envolvidas mais importante será o festival”, disse.
Pepetela, pseudónimo literário de Artur Carlos Maurício Pestana dos Santos, nasceu em Benguela, Angola, em 1941. Licenciou-se em Sociologia, em Argel, durante o exílio. Iniciou a actividade literária e política, como membro do MPLA, na Casa dos Estudantes do Império.
A partir de 1984, foi professor na Universidade Agostinho Neto, em Luanda, e dirigente de associações culturais, com destaque para a União de Escritores Angolanos e a Associação Cultural Recreativa Chá de Caxinde. Em 1997 foi-lhe atribuído o Prémio Camões, que o confirmou como um dos maiores nomes da literatura lusófona.
Com o livro “As Aventuras de Ngunga”, Pepetela começou a escrever em 1972. Desde então nunca mais parou. Ao longo dos anos, mudou a visão que tinha da sociedade e da guerra colonial na qual participou pelo MPLA. O romance “Mayombe” levou-o em 1979 a ser um dos autores angolanos que se revelavam na Angola independente, uma história de guerrilheiros presos numa densa mata onde se questionavam sobre o regime pós independência.
O primeiro Prémio Literário Casino da Póvoa foi atribuído em 2004, à autora Lídia Jorge, pelo romance “O Vento Assobiando nas Gruas”. Distinguindo de forma alternada a poesia e a prosa, conta entre os seus premiados Carlos Ruiz Zafón, Maria Velho da Costa, Pedro Tamen, Rubem Fonseca, Hélia Correia, Fernando Echevarría, Javier Cerca e Ana Luísa Amaral, entre outros autores.

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