Pepetela admite influência italiana

Francisco Pedro |
20 de Novembro, 2014

Fotografia: Mota Ambrósio

Pepetela reconheceu numa conferência de imprensa, em Luanda, ter sido influenciado por autores italianos devido os livros que leu quando frequentava Casa dos Estudantes do Império, em Portugal, na década de 1950.

O escritor, que falava sobre o tema “A Viagem de uma Voz: Pepetela a História de Angola aos leitores de Itália”, na União dos Escritores Angolanos, disse ter lido vários autores italianos do neo-realismo, considerados progressistas, o que o ajudou na formação da sua personalidade.
O prelector foi Francesco Genovesi, professor de Literatura Lusófona na Universidade Roma Tre, afirmou que a História de Angola está presente na obra de Pepetela.
Ao responder as questões apresentadas pelo conferencista, Pepetela referiu que trabalha com temas históricos por várias razões, uma das quais “é abusar” do trabalho dos historiadores, na maioria do tempo colonial, “os que achavam que em África a História apenas começava com a chegada deles”.
Pepetela salientou que dá “muito prazer pegar em textos desses colonizadores” e “dar-lhes a volta para mostrar a visão do colonizado”, como o fez no romance “A Gloriosa Família”.
O romance, publicado em 1997, conta a história da família de Baltasar Van Dum, um flamengo que traficava escravos durante o período em que os holandeses dominavam os territórios do antigo reino do Ndongo. O livro, escrito com base na História Geral das Guerras Angolanas (1680), de António de Oliveira de Cadornega, levou Pepetela a pesquisar em Amesterdão, Antuérpia e Vaticano.
“Não sou historiador, mas gosto de História, e comecei a escrever por influência do meio onde nasci, em Benguela”, disse o autor de “A Geração de Utopia”, um dos livros apresentados por Francesco Genovesi como uma referência das obras de Pepetela que revelam a História de Angola, tal como “Lueji”, “A Revolta da Casa dos Ídolos”, “A Sul. O Sombreiro”, “Yaka”, “Mayombe” e “Predadores”.
 Francesco Genovesi fez uma analogia da obra de Pepetela com a de autores italianos, mas realçou que considerou que os livros do escritor angolano têm “características pana-africanas.  O escritor recordou que embora “a Casa dos Estudantes do Império fosse uma estrutura pequena era uma ameaça para as autoridades portuguesas daquela época por causa das actividades políticas” realizadas clandestinamente.
Pepetela disse que as actividades culturais, principalmente os livros que leu, foram o que mais o marcaram nessa fase.

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