Pepetela pede mais bibliotecas nas escolas

Mário Cohen, Joaquim Júnior | Uíge, Afonso Belo | Cuito
28 de Junho, 2015

Fotografia: Filipe Botelho | Uíge

A falta de bibliotecas em escolas primárias é um dos maiores obstáculos para uma aproximação das crianças aos livros, lamentou ontem Pepetela, um dos escritores convidados da 9ª edição do Jardim do Livro Infantil, que encerra hoje a nível nacional.

O escritor, que apresentou uma reedição de “As Aventuras de Ngunga”, em Luanda, no âmbito do Jardim do Livro Infantil, considera fundamental existir uma biblioteca em cada escola, pública ou privada, para incentivar o hábito e o gosto pela leitura. “É a minha última batalha e acredito que vou vencer”, garantiu.
Pepetela considera o livro “As Aventuras de Ngunga” um exemplo da necessidade de existirem bibliotecas nas escolas. “Quando o escrevi eram, teoricamente, textos independentes, para suprir a falta de livros entre os jovens. Os jornais do ‘movimento’ [MPLA] não chegavam até várias zonas do país e o livro servia de um guia”, disse.
O escritor defendeu uma maior aproximação entre os autores e os leitores, através de feiras e de outras actividades, em especial as de âmbito escolar, para o criar de leitura e preparar as crianças para os desafios futuros.
O livro “As Aventuras de Ngunga” foi escrito e publicado em 1972  na zona de guerrilha no Leste do país. Desde a sua publicação já teve várias edições.
Natural de Benguela, Pepetela publicou romances de grande tiragem, como “Muana Puó”, “A revolta da Casa dos Ídolos”, “Mayombe”, “Yaka”, “O Cão e os Calús”, “Lueji”, “A Geração da Utopia”, “A Parábola do Cágado Velho”, “A gloriosa família” e “Jaime Bunda, agente secreto”.

Sociedade melhor

A leitura é um passo fundamental na criação de uma sociedade melhor, destacou ontem o vice-governador do Uíge para o Sector Económico e Produtivo, durante a realização do Jardim do Livro Infantil naquela província.
Para Carlos Gomes Samba, os pais e encarregados de educação devem estimular nas crianças hábitos de leitura, de forma a terem mais oportunidades de conhecimento. As crianças, disse, são muito flexíveis e precisam ser moldadas, particularmente no carácter. “A infância é um momento decisivo na formação do futuro homem, portanto, precisa ser vivida com a instrução certa e assente nos valores correctos, para amanhã não ser abalada pela aculturação”, disse.
“Os brinquedos são parte do crescimento delas, porque as ajuda a crescer, mas é preciso também as aproximar dos livros, por ser parte essencial da educação destas, assim como o é a família”, defendeu.
O Jardim do Livro Infantil no Uíge expôs mais de três mil livros infantis de escritores nacionais e estrangeiros. Além da feira do livro, foram também realizadas sessões de leitura e jogos educativos.

Conhecer a História

O Jardim do Livro Infantil no Bié permitiu às crianças conhecerem um pouco mais sobre a História e a realidade do país, disse o governador provincial em exercício.
José Fernando Tchatuvela considerou fundamental as crianças aprenderem, através dos livros, a valorizar os princípios da identidade nacional, assim como a respeitar a tradição. O Jardim do Livro encerra hoje com uma exposição de mais de seis mil livros.

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