Cultura

Pesquisador angolano quer defesa das línguas

Manuel Albano | São Paulo

O antropólogo Isaías de Lemos defendeu, ontem , em São Paulo, Brasil, o papel das línguas nacionais, como factor de união e identidade cultural, capaz de preservar a História do país, nesta nova era das tecnologias de informação.

Dança dos orixás foi exibida durante a “Roda de Conversa”
Fotografia: DR

O perito angolano, convidado a participar no projecto “Roda de Conversa”, realizado no âmbito do Festival de Cinema, Arte e Literatura Africana (Fescala), chamou atenção para a importância da divulgação e valorização das línguas maternas, principalmente na salvaguarda da identidade nacional.
Para o antropólogo, é fundamental a criação de políticas mais activas, de incentivo e valorização destes idiomas, assim como de alguns costumes de raiz, “pois ajudam a fortalecer a cultura angolana.”
“É uma tarefa de todos, porque estamos a ser invadidos culturalmente, a cada dia, por outros costumes, alguns dos quais muito diferentes dos angolanos. Por isso, sem descurar o lado bom da aculturação, devemos lutar mais para a preservação da matriz cultural nacional”, disse.
O facto de alguns investigadores brasileiros terem demonstrado interesse em aprender mais sobre algumas línguas nacionais mostra a importância de os especialistas angolanos apostarem na divulgação deste conhecimento.
Durante o debate, o professor universitário brasileiro Moisés Marques falou um pouco sobre as relações de cooperação e os laços culturais e históricos entre ambos os países.

Espectáculo
A dança dos orixás no Brasil foram uma das propostas apresentadas ao público no Fescala, no âmbito das comemorações do “dia da dipanda”. O espectáculo, realizado por bailarinas ciganas, foi coordenado pela pesquisadora e professora de História, Ana Lúcia de Camargo.
Na performance, as bailarinas mostraram, em dez minutos, alguns dos traços artísticos do actual contexto contemporâneo artístico, no qual as fusões de estilo parecem ser uma tendência. Danças brasileiras, mais assentes em rituais sagrados, fizeram o público aplaudir a actuação das bailarinas ciganas.
Baseado no mito brasileiro de urubá, o espectáculo introduziu elementos novos, para estar adaptado aos aspectos da contemporaneidade. “Queremos deixar um legado positivo às futuras gerações”, disse Ana Lúcia de Camargo, para quem o intercâmbio cultural entre Angola e o Brasil tem permitido desmistificar e desconstruir conceitos errados transmitidos sobre algumas das culturas indígenas.

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