Pesquisadores descobrem estações


24 de Janeiro, 2016

Fotografia: Eduardo Pedro

Três novas estações arqueológicas de indústria lítica, que comportam instrumentos de pedra da idade pré-histórica, foram descobertas na província do Namibe, no quadro das acções de investigação e localização de bens e sítios com valores histórico-cultural, informou ontem a direcção provincial da Cultura.

Das três estações, duas foram descobertas na localidade do Kuroca, município do Tômbwa, e a outra numa das margens do rio Giraúl, nas imediações da capital da província, disse, à Angop, o chefe do departamento de património cultural da direcção da Cultura do Namibe. Benjamim Fernandes adiantou que as estações são bastante ricas, com variadíssimos tipos de instrumentos líticos (pedras). No momento, acrescentou, apenas aguarda-se pela vinda de uma equipa do Instituto Nacional de Património Cultural para fazer a devida avaliação e posterior classificação das referidas estações arqueológicas.
O perito, que chefiou o grupo de pesquisa, considerou fundamental no momento classificar essa indústria lítica, em função do período histórico que cada uma pertence. “O importante é sabermos o período de cada uma. Não termos certeza se são do Paleolítico, Mesolítico ou Neolítico”, disse.
O responsável disse que após essa classificação, o sector leva a cabo acções de escavação e recolha do próprio material para ser colocado em espaço adequado, para posterior estudo arqueológico mais detalhado de cada uma das peças.
A descoberta das estações (indústria lítica), revelou, representa a cultura material que comprova a existência no Namibe de seres humanos há milhares de anos. Na sua opinião, o material descoberto é um indicativo que a região teve um papel decisivo no processo de evolução e de desenvolvimento das sociedades desde os tempos pré-histórico.
A descoberta destes locais, destacou, é também uma oportunidade de os jovens verem na prática aquilo que os homens utilizaram antes do ferro. “É um grande contributo, do ponto de vista da educação e do ensino, para os estudantes vincularem os seus conhecimentos teóricos à prática”, sublinhou.
“A exposição deste material arqueológico vai permitir ainda aos jovens conhecerem o processo de evolução do próprio homem, não só do ponto de vista espiritual como material”, rematou.
As estações, referiu, têm peças (pedras) que foram utilizadas como machados, raspadores, facas e lâminas. O responsável da Cultura deu ainda a conhecer que essa pesquisa é um processo contínuo que teve início há oito anos. “O Namibe tem grande potencial do ponto de vista arqueológico e nos próximos tempos poderemos revelar outras descobertas”, assegurou o responsável.
O pesquisador sublinhou que ao longo do estudo utilizam GPS, para localização geográfica, registo fotográfico, bússolas e instrumentos específicos ao estudo da indústria lítica.
A província do Namibe, disse, é uma das regiões de Angola que albergou o designado “Fundo Antigo de Povoamento Negro Africano”. O Namibe, defendeu, possui vestígios arqueológicos que identificam a existência de habitantes, há milhares de anos, na região e “as estações de artes rupestres são o primeiro vestígio disto”. O responsável argumentou que alguns pontos geográficos onde habitaram os povos pré-históricos, como os Kuissis ou os  Kwebes, são locais de referência para se levar a cabo pesquisas.
Porém, considerou fundamental existirem no Namibe laboratórios específicos para os estudos ligados a arqueologia, sobretudo a indústria lítica. Benjamim Fernandes disse que o risco de desaparecimento dessas estações é muito alto, sobretudo as do Kuroca que estão junto a população.
A estação do Giraúl, destacou, apesar de estar isolada, também corre o risco de desaparecer, porque se encontra num ponto de passagem que dá acesso a uma das praias frequentadas pela população. “Portanto é importante acelerar a sua avaliação e classificação, para a sua conservação”, rematou Benjamim Fernandes.

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