Pintura de Kapela atrai muitos visitantes

Francisco Pedro |
8 de Março, 2015

Fotografia: Dombele Bernardo

A galeria Tamar Golan, em Luanda, registou uma enchente   durante a cerimónia de inauguração da exposição individual de Paulo Kapela,  intitulada “Kapela”, patente até ao dia 16.

Várias personalidades angolanas e estrangeiras prestigiaram o acto, entre os quais o economista Aguinaldo Jaime,  o cineasta Gita Cerveira, a guionista Isilda Hurst, o embaixador de Israel, Raphael Singer, e as directoras do Instituto Camões-Centro Cultural Português, Teresa Mateus, e do Goethe-Instituto Alemão, Christiane Schulte.
Trata-se da primeira exposição individual de Paulo Kapela, um dos ícones da arte contemporânea africana, que tem como base das suas obras material subaproveitado, como folhas de jornais, papelão, fotografias e posters.
As suas obras suscitam admiração do público por combinar pintura, texto e colagem, além de se dedicar ao paisagismo rural, resultando em instalações cuja mensagem abrange o mundo natural e metafísico.
Na opinião do economista Aguinaldo Jaime, é urgente que se promova um encontro entre Paulo Kapela e a nova geração. “Se conseguirmos fazer isso, estaríamos a criar condições para conhecermos a obra de Kapela”.
Aguinaldo Jaime apelou, ainda, às pessoas e instituições de boa vontade para  apoiarem cada vez mais o artista plástico, à semelhança da Fundação Arte e Cultura, que há dois meses tem dado uma atenção especial para  Paulo Kapela voltar a ter um espaço para trabalhar. O embaixador de Israel, Raphael Singer, considerou ser um sucesso a exposição, pela quantidade de visitantes, e um orgulho por conhecer um artista cheio de talento.
“Sou um novo admirador da obra de Kapela, que para mim representa e prestigia a cultura africana e angolana”, realçou o diplomata israelita mostrando-se bastante entusiasmado.
São oito instalações que juntam cerca de 50 obras, algumas inéditas e outras recuperadas, espelhando as diferentes fases da trajectória do pintor, formado na “École de Peinture de Poto-Poto”, no Congo Brazzaville, uma das mais prestigiadas instituições  de ensino em África.
O artista reconheceu a influência da sua passagem por Brazzaville, mas reforçou que são os acontecimentos do quotidiano e o comportamento das pessoas que constituem a fonte da sua inspiração para pintar.
Além da crítica patente de forma implícita nas suas obras, o pintor considera-se como um mensageiro da paz e amor. Mostrou-se melhor da enfermidade por que passou, uma das razões que fez  a direcção da União Nacional dos Artistas Plásticos  (UNAP)  transferi-lo para o Lar da Terceira Idade- Beiral, no Bairro da Terra Nova.Natural do Uíge, Paulo Kapela começou a pintar em 1960, sendo conhecido também como  “Profeta” e “Mestre”. Pertence a várias colecções, como a de Sindika Dokolo, a maior colecção de arte contemporânea africana. Premiado pelo  Centro Internacional de Civilizações Bantu (CICIBA), no Gabão, em 2003, na colectiva “Tons e Texturas da Angolanidade”.
Tem participado em exposições colectivas itinerantes, que permite a internacionalização da sua obra, com os mais representativos artistas africanos, é o caso da mostra “Africa Remix”, apresentada em Londres, Paris e Tóquio, entre 2004 e 2005. Em 2013, integrou a exposição “No Fly Zone”, em Lisboa, da Fundação Sindika Dokolo.

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