Poemas escritos nas paredes do Palácio de Ferro

Roque Silva
21 de Setembro, 2016

Fotografia: Paulino Damião

Poemas de 70 escritores nacionais de várias gerações são expostos, a partir desta sexta-feira até o dia 23 do próximo mês, em toda a extensão do interior do Palácio de Ferro, numa iniciativa da Trienal de Luanda.

Enquadrado no projecto “Mostra de Poesia Angolana”, os textos vão estar grafados numa extensão de mais de mil metros quadrados, das paredes do quintal e da sala de exposições do referido Património Cultural Nacional.
A iniciativa vai albergar reflexões em torno da poesia angolana, recitais, trova e oficinas criativas baseados nos poemas expostos, com maior incidência a vários poemas de Agostinho Neto, e apenas um de outros autores, em que se destacam António Jacinto, Alda Lara, Alexandre Dáskalos, Arlindo Barbeitos, Jofre Rocha, Amélia da Lomba, Ernesto Lara Filho, Roderick Nehone, João Tala, António Panguila, Beto Van-Dúnem, Chô do Guri, David Mestre, Costa Andrade, Domingos Florentino e José Luís Mendonça.
Os poemas são recitados em visitas guiadas, nos períodos da manhã e tarde, e em concertos de música e dança tradicional enquadrados nos projectos em curso da Trienal de Luanda, realizados às noites.
Alguns poetas consagrados confirmaram presença, assim como Maria Eugénia Neto, em representação de Agostinho Neto, Ngonguita Diogo, John Bela, membros dos movimentos literários Lev’Art e Berço Literário.
Os recitais têm início na sexta-feira, com Fernando Alvim a ler poemas de Agostinho Neto, com acompanhamento do som da guitarras da Banda Next.
Os espectáculos dos músicos  Pedro Cabenha e Adão Minjy, na sexta-feira, e de Vum Vum, no sábado, albergam a leitura de poemas de outros autores.
O curador da exposição disse na apresentação do projecto à imprensa que o mesmo tem uma dimensão pedagógica inclusiva, partindo do princípio que todos visitantes são informados sobre a vida e obra dos autores dos poemas e o seu processo criativo.
Segundo Jomo Fortunato, a exposição proporciona contactos com os diferentes discursos dos vários períodos de construção da literatura angolana e garantir um contacto com os diferentes épocas e períodos da construção da literatura. “Vamos expor os poemas como objecto artístico e tentar recuperar à sua sonoridade nela plasmada desde a sua origem”, disse.

Projecto Educação

O projecto Educação é uma plataforma através do qual crianças e jovens estudantes são guiados por orientadores durante as visitas a exposição e recebem informações sobre a vida e obra dos autores dos poemas. A intenção é receber 7.500 visitantes, sendo 300 por dia, de escolas públicas e privadas por formas garantir o acesso das crianças a cultura, valores e costumes contidos nas mensagens dos poemas.
A ideia é privilegiar escolas da periferia, disse a produtora geral da III Trienal, que defendeu as inscrições abertas para vistas nos planos de férias.
Cláudia Veiga afirmou que a direcção da Trienal pretende apresentar documentários e filmes de Neto e levar ao palco o projecto musical “Vozes de Nguxi”, uma compilação de temas com vozes de Matias Damásio, Sandra Cordeiro, Emanuel Kanda, Totó e Malú.   
Estudantes do Ensino Primário das escolas 1102 e África Amiga, num total de 101, do distrito urbano da Ingombota, em Luanda, deram o pontapé de saída ao projecto.
As crianças mantiveram, segunda-feira e ontem, contacto com os poemas “Caminho do Mato” e “Noite”, de Agostinho Neto, “Noites de luar no Morro da Maianga” e “Pausa”, de Mário António.
 A III Trienal de Luanda (TL), que decorre de 1 de Novembro de 2015 a 30 de Novembro deste ano, sob o lema “Da utopia à realidade”,  é uma iniciativa da Fundação Sindika Dokolo, que, segundo o seu patrono, é muito mais do que um espaço de arte, “é  um  símbolo  de  liberdade,  um  espaço  para  alargar  o  espectro  do diálogo cultural.”

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