Cultura

Ponte de Canal preocupa Governo

A ponte de canal e a casa do químico Duarte Silva, na Ribeira Grande, o farol de “boi”, no Paúl, e o antigo quartel militar, no Porto Novo, são exemplos de alguns monumentos históricos, na ilha de Santo Antão, em Cabo Verde, que estão a passar por uma degradação acentuada.

População de Santo Antão apela a rápida intervenção das autoridades para a manutenção do monumento histórico
Fotografia: Paulo Delgado

Na sua primeira visita à ilha das montanhas, na semana passada, o ministro da Cultura e Indústrias Criativas (MCIC), Abraão Vicente, inteirou-se do estado dos monumentos históricos na ilha, na sua maioria enfrentando um processo de “morte lenta”, noticiou a Inforpress.
A situação dos monumentos foi tema de conversa num encontro entre Abraão Vicente, os presidentes de câmaras de Santo Antão e os agentes culturais.
O alerta para “a morte lenta” desses monumentos, que clamam por uma “urgente recuperação”, vem da população santatomense, dos autarcas e dos deputados nacionais eleitos por esta ilha. Segundo o ministro Abraão Vicente, o farol Fontes Pereira de Melo, a ponte de canal e casa do químico Duarte Silva estão entre o património histórico nacional que vão ser recuperados pelo Governo.
A ponte de canal, umas das obras históricas mais emblemáticas de Santo Antão, é uma infra-estrutura hidráulica, construída em 1956. Nos seus 61 anos de vida, nunca beneficiou de obras de manutenção.
O farol Fontes Pereira de Melo (farol de boi), construído em 1886, na localidade de Janela, no Paúl, considerado património nacional, está, também, em situação de abandono e em estado avançado de degradação.
O antigo quartel, desactivado em 1982, numa fase avançada de deterioração, poderá ser transformado numa aldeia administrativa.
Tida como certa é a recuperação da fachada e das guaritas do ex-quartel, construído em 1932, garantia do edil do Porto Novo, Aníbal Fonseca: O arranque das obras está previsto para 2018.

Passos anteriores

A ponte de canal é considerada a obra histórica mais emblemática da ilha das Montanhas, transporta a água de rega captada na zona de Turim da Ribeira de Caibros, de Boca de Ambas-as-Ribeiras, para Ladeira das Canas e Boca de Coruja.
Nos últimos dias, muitas pessoas, em particular jovens do concelho da Ribeira Grande, preocupadas com a degradação acelerada dessa “obra de arte”, desencadearam algumas acções em sua defesa. Entre elas, destaca-se a divulgação nas redes sociais de mensagens e fotografias que comprovam a real situação, classificada de “ponte de canal, em morte lenta.”
“É urgente quem de direito agir na defesa do estado de deterioração em que se encontra a infra-estrutura hidráulica, construída na zona de Boca de Ambas-as-Ribeiras denominada de "ponte canal", antes que seja tarde. A sua morte lenta está a passar sem que alguém faça alguma coisa para sua manutenção, antes que seja tarde de mais”, lê-se nas mensagens.
Uma fonte bem posicionada na câmara municipal da Ribeira Grande, disse que as preocupações desses munícipes "são as mesmas da edilidade.”
“Apresentamos e discutimos as nossas preocupações com o anterior ministro da Cultura, Mário Lúcio Sousa, na sua última visita oficial que fez ao concelho da Ribeira Grande, em Agosto de 2011, mas até essa data, não recebemos nenhum feedback”, concluiu a fonte.
O director dos Monumentos e Sítios do Instituto do Património Cultural (IPC), José Landim, disse que não tem um plano específico para manutenção da ponte de canal. Esclareceu que “temos programada uma deslocação às ilhas do Fogo e Santo Antão, para inventariar os problemas de manutenção do património arquitectónico, elaborar projectos, apresentar e defender os respectivos financiamentos na Unesco.”

Histórico da Ilha

Para além do português, língua oficial, o crioulo cabo-verdiano é usado no dia-a-dia pela grande maioria da população de Santo Antão. Santo Antão é uma das nove ilhas habitadas de Cabo Verde, localizada no grupo do Barlavento, a noroeste, e segunda maior do arquipélago em superfície e a terceira em população.
De origem vulcânica, Santo Antão é a ilha mais mais setentrional e ocidental de Cabo Verde e a mais afastada do continente africano, pelo que o seu extremo oeste é considerado o ponto mais ocidental de África.
Desabitada aquando da descoberta em 1462 por Portugal, começou a ser colonizada, com pouco sucesso, em 1548.
O nome Santo Antão foi dado pelo navegador português Diogo Afonso que descobriu a ilha no dia 17 de janeiro de 1462, em consonância com o santo do dia da descoberta, tal como ocorreu com outras ilhas do grupo (São Vicente, São Nicolau e Santa Luzia), e de acordo com o hábito já usado nos Açores. O Tratado de Tordesilhas, assinado em 7 de junho de 1494, entre Portugal e o Reino de Castela, e que determinou a divisão das áreas de influência dos países ibéricos.
A colonização começou apenas em 1548. No século XVII, populações das ilhas de Santiago e do Fogo com colonos vindos do norte de Portugal fundaram a Povoação, a actual vila da Ribeira Grande na zona norte da ilha.

Tempo

Multimédia