Cultura

Portugueses sondam potencial turístico

Fernando Neto | Mbanza Kongo

A história cultural do antigo reino Congo fez deslocar no fim-de-semana à cidade de Mbanza Kongo 50 turistas portugueses e angolanos com base no protocolo assinado entre os ministérios da Cultura, Hotelaria e Turismo e do Comércio. A visita teve como objectivo atrair profissionais do ramo eobservar as potencialidades culturais e comerciais existentes na região para a sua divulgação.

Fotografia: JAImagens | Edições Novembro

Os turistas foram recebidos pelo responsável do Núcleo das Autoridades Tradicionais, Afonso Mendes, pelos inquiridores e os Kimbanda Banda (conselheiros) que desejaram boas vindas à comitiva com canções e rituais.
Os visitantes estiveram no Lumbu, um tribunal tradicionalconstituído por um auditório onde são resolvidos conflitos de terras, familiares, querelas entre os membros da comunidadee questões tradicionais.
O director provincial da Cultura, Biluka Nsakala Nsenga, explicou aos turistas os mitos que encerra cada local histórico seleccionado para o processo de candidatura de Mbanza Kongo a Património da Humanidadedepositado na UNESCO (Organização das Nações unidas para a Ciência e Cultura). O responsável falou particularmente da seiva avermelhada, comparada com sangue,extraída da árvore secular “Nhala Nkuwu”. Os turistas percorreram tambémo cemitério dos antigos reis do Kongo. “Foi de grande interesse ver o túmulo de Dona Mpolo, a mulher que foi enterrada viva pelo seu próprio filho, Nvemba Nzinga, que detinha o poder de rei, porque a mãe desobedeceu aos tratamentos tradicionais proibidos pelos portugueses”, disse um dos turistas.
No segundo e último dia da excursão, os turistas visitaram as grutas de “Nzau Evwa”, onde apreciaram as pinturas rupestrese a fonte de água natural no interior da gruta.
Outra dimensão cultural que despertou interesse foram os rituais, as canções eas danças da antiga capital do antigo Reino do Congo.Houve palestras sobre a história do Reino do Congo, o processo de candidatura a património mundial e o desenvolvimento do turismo cultural na região.Os turistas consideraram que a Mbanza Kongo é uma cidade que nunca perdeu autenticidade.
Um dos rituais representado com fidelidade tem sido o julgamento tradicional, realizado pelo núcleo das autoridades tradicionais instalado no Lumbu.
Um dos turistas perguntou com que idade alguém podia integrar o núcleo das autoridades tradicionais destacadas no Lumbu e a resposta do ancião Afonso Mendes foi a seguinte: “O conhecimentonãotem a ver com a idade. Desde que um indivíduo demonstre inteligência pode fazer parte do núcleo”.
Um dos aspectos que predominava na organização social do Reino do Congo era o facto de terem, naquela época, a Ilha do Cabo, em Luanda, como um banco privado do rei. Dali eram retirados os búzios (zimbos) que serviam de moedaque circulava no vasto território Ngola e Congo, principalmente.
O coordenador do núcleo das autoridades tradicionais, Afonso Mendes, lembrou que antes da independência em 1975 a cidade de Mbanza Kongo tinha a designação de São Salvador do Congo.
O empresário Alfredo Cardoso, integrante da comitiva, depois de visitar as ruínas do Kulumbimbi, onde foi erguida a primeira Sé Catedral construída a sul do equador, o Cemitério, o Museu dos Reis do Congoe a árvore “Yala Knuwu”, sublinhou que Mbanza Kongo tem todos requisitos para ser elevada a património da humanidade.Na sua óptica, o trabalho para a divulgação de Mbanza Kongo deve prosseguir, tendo em conta as múltiplas vantagens para o desenvolvimento económico e social da região.   
Alexandrina da Cunha, Directora Provincial da Hotelaria e Turismo do Cuanza Norte, uma das visitantes, afirmou: “devemos aproveitar esta oportunidade para termos algo que épatrimónio da humanidade”.

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