Pouca gente para dançar a Festa da Música

Francisco Pedro |
24 de Junho, 2014

A terceira edição da Festa da Música ficou marcada com a fraca presença do público na Marginal de Luanda, onde a Aliance Française realizou um espectáculo que juntou diferentes tendências da música angolana.

O espectáculo foi gratuito e durou cerca de seis horas, mas nem 500 pessoas estiveram presentes para apreciar e dançar a rebita do grupo Novatos da Ilha do Cabo, na abertura, e Yuri da Cunha com as suas bailarinas às 23h00, no encerramento.
O espectáculo foi gratuito e o director da Aliance Française de Luanda, Alain Sarragosse, considerou paradoxal a fraca presença de público nesta terceira edição.
Além da divulgação que devia ter sido mais intensa, na opinião de Alain Sarragosse a organização deve apostar num outro espaço. O espectáculo, disse, foi bastante divulgado pela Rádio Nacional de Angola e nas redes sociais, incluindo um spot publicitário emitido pela Televisão Pública de Angola.
A pouca adesão, na sua óptica, pode estar relacionada com o Mundial de Futebol, mas "correu bem". Cabinda e Lubango realizaram também espectáculos em simultâneo. Yuri da Cunha, acompanhado pela sua banda, enalteceu a iniciativa da Aliance Française e apelou aos empresários nacionais a organizarem festivais semelhantes, quer na capital do país como no interior.
O músico realçou ainda que a junção de diferentes géneros não só enriquece a oferta musical, como motiva os adolescentes e jovens a aderirem à arte abstendo-se da criminalidade.
"O kuduro é uma das provas que faz da arte musical uma solução para diminuir a criminalidade nas cidades, por isso devem surgir esses incentivos para os mais jovens", disse Yuri da Cunha, após a sua calorosa exibição, com a interpretação de temas da sua autoria, dos Irmãos Almeida e outros ritmos africanos que fizeram sucesso na década de 1980.
O guitarra baixo Carlitos Chiemba, da banda de Yuri da Cunha, considerou importante a Festa da Música porque permite divulgar a música angolana. O facto de ter sido organizada por uma instituição franco-angolana não retira o mérito aos empresários nacionais. "Espero que os angolanos façam o mesmo, porque a Festa da Música significa o reconhecimento dos nossos valores artísticos."
Exibição de capoeira e declamações de poesia marcaram os primeiros atractivos do espectáculo, que começou às 17h00. O alinhamento musical incorporou kuduro, música folclórica, música popular e contemporânea, de amadores e profissionais.
O projecto Vozes de Angola, com Sandra Cordeiro, Gary Sinedima e Toti Sa'Med (guitarra solo e ritmo e vocalista), a banda Café Negro, com Irina Vasconcelos (voz) e novos talentos, como a cantora Eurits e artistas da Casa da Música, que pertence à Fundação Arte e Cultura, integraram o conjunto de músicos convidados para a festa.
Festa da Música decorre também noutras cidades capitais do mundo, uma iniciativa do Ministério da Cultura da França, que a 21 de Junho de 1980 decidiu oferecer uma “festa de música de rua” na cidade de Paris, a fim de promover recriação e lazer grátis com acesso para todos.

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