Prémio Cervantes já tem um vencedor


26 de Novembro, 2014

Fotografia: Divulgação |

O escritor catalão Juan Goytisolo, dos nomes mais importantes da ficção espanhola da segunda metade do século XX, é o vencedor da edição deste ano do prémio Cervantes, no valor de 125 mil euros.

A escolha do escritor Juan Goytisolo, nascido em Barcelona em 1931 e irmão dos escritores José Agustín e Luis Goytisolo, exigiu sete votações sucessivas do júri, presidido pelo poeta José Manuel Caballero Bonald, prémio Cervantes em 2012, que considerou o vencedor deste ano “um dos cumes da literatura espanhola do pós-guerra”.
O presidente do júri destacou, na obra de Juan Goytisolo, “a vontade de integrar as duas margens” e a “aposta permanente no diálogo intercultural”, numa referência à luta que o autor sempre travou contra as tentativas de apagar a herança árabe na cultura espanhola contemporânea.
Radicado desde 1996 em Marraquexe, Marrocos, onde recebeu a notícia do prémio, do ministro da Educação, Cultura e Desporto de Espanha, José Ignacio Wert, o escritor opôs-se ao franquismo e saiu de Espanha aos 25 anos, tendo começado por se exilar em Paris, em meados dos anos 1950.
Durante anos trabalhou durante anos como consultor editorial da prestigiada editora Gallimard, antes de em 1969 rumar aos Estados Unidos, onde foi professor em várias universidades na Califórnia, Boston e Nova Iorque.
Juan Goytisolo visitou pela primeira vez Marraquexe em 1976 e acabou por se radicar definitivamente naquela cidade depois da morte da mulher, Monique Lange, em 1996. Além da narrativa de ficção, Juan Goytisolo tem uma relevante obra ensaística e dedicou-se também à reportagem, literatura de viagens e de memórias. Declarou em 2012 que não voltava a escrever ficção e no mesmo ano estreou-se como poeta com “Ardores, Cenizas, Desmemoria”.
Como ficcionista, a sua obra mais conhecida é a “Reivindicação do Conde Julião” (1970), que a editora Dom Quixote publicou em 1972. O livro é o segundo volume da Trilogia Álvaro Mendiola, iniciada com “Señas de Identidad” (1966) e concluída com “Juan sin Tierra” (1975).
Os primeiros livros do escritor, como “Juegos de Manos” (1954) e “Duelo en el Paraíso” (1955), ou mesmo a trilogia composta por “El Circo” (1947), “Fiestas” (1958) e “La Resaca” (1958), situam-no no âmbito de um realismo crítico, mas é partir dos anos 1960, com “Señas de Identidad”, que a sua obra ficcional adquire características mais experimentais, revelando um esforço sistemático de renovação da linguagem literária.
Ao jornal “El Pais”, do qual é colunista e onde publica reportagens sobre os conflitos da Bósnia ou da Chechénia, afirmou: “Quando me dão um prémio, suspeito sempre de mim mesmo”. Mesmo a viver no Marrocos, o autor manteve uma relação com a cultura espanhola, na qual lamentava que sobrevivessem vários “tabus”, como a importância da influência árabe ou o passado de violência entre cristãos velhos e novos. “Tanto em Paris como quando dava aulas em Nova Iorque habituei-me a uma sociedade heterogénea”, disse.

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