Prémio Nobel atribuído a escritora do Leste Europeu


9 de Outubro, 2015

Fotografia: AFP

A bielorrussa Svetlana Alexievich é a vencedora deste ano do prémio Nobel da Literatura, pela sua “obra polifónica, memorial do sofrimento e da coragem na nossa época”, anunciou a Academia Sueca.

A jornalista e escritora, de 67 anos, é a 14.ª mulher premiada com o Nobel da Literatura desde a sua criação, em 1901. “É uma grande escritora, que encontrou novos caminhos literários”, disse Sara Danius, secretária da Academia Sueca, à televisão pública STV.
“Nos últimos 30 ou 40 anos dedicou o seu tempo à cartografia do indivíduo soviético e pós-soviético. Mas não é uma história dos acontecimentos. É uma história das emoções, uma história da alma”, explicou Danius à Fundação Nobel.
A premiada disse sentir uma grande alegria após obter o prémio, e apelou para “não se fazerem concessões” ao “poder totalitário” e a líderes como Staline, apesar de dizer que ama o mundo russo.

Romances documentais


Alexievich, que era apontada como favorita ao prémio há alguns anos, é autora de livros impressionantes sobre a catástrofe de Chernobyl ou a guerra do Afeganistão, proibidos no seu país, a Bielorússia, que não a perdoa pelo retrato que fez do “homo sovieticus”, como um ser incapaz de ser livre.  O anúncio do prémio foi muito aplaudido pelo numeroso público presente na Academia Sueca. Nascida em 31 de maio de 1948 no oeste da Ucrânia numa família de professores e formada na faculdade de jornalismo da Universidade de Minsk, Svetlana Alexievich começou a recolher num gravador os relatos de mulheres que combateram durante a Segunda Guerra Mundial. Estes testemunhos foram a base de seu primeiro romance, “The War’s Unwomanly Face”, escrito em russo, tal como o conjunto da sua obra.
Desde então, Alexievich vem utilizando o mesmo método para escrever os romances com tons documentais e entrevista durante anos pessoas que viveram experiências comoventes.
“Preciso de observar uma pessoa num momento em que foi abalada”, explicou a escritora ao semanário russo “Ogonyok”. “Através do seu extraordinário método, Alexievich aprofunda a nossa compreensão de toda uma era”, escreveu a Academia Sueca no anúncio da atribuição do prémio.
“Zinky Boys”, um livro sobre a guerra do Afeganistão, foi responsável por a tornar famosa. A sua obra mais conhecida, “Voices from Chernobyl”, foi traduzida para vários idiomas e publicada em todo o mundo.
Alguns dos livros foram adaptados para o teatro em França e na Alemanha, onde recebeu o prémio da Paz na Feira Literária de Frankfurt em 2013.
Svetlana Alexievich sucede ao romancista francês Patrick Modiano, vencedor do Nobel de Literatura em 2014, e vai receber oito milhões de coroas suecas (860 mil euros ou 973 mil dólares).
Hoje é divulgado o vencedor do prémio Nobel da Paz, outro dos prémios mais esperados.

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