Prestígio e valorização das artes plásticas angolanas

Jomo Fortunato |
23 de Maio, 2016

Fotografia: Paulino Damião

A atribuição do grande prémio de pintura a Ângelo de Carvalho Júlio, de escultura a Maiomona Eduardo Pereira Vua, e a distinção com o prémio “Alliance Française” a Ricardo Kapuca Alfredo Ângelo, galardoado com uma residência artística de um mês em França, prestigiou a marca e o histórico do Prémio ENSA-Arte, pela qualidade artística das obras premiadas.

Na ocasião da cerimónia de entrega dos prémios da XIIIª Edição do ENSA-Arte, o Presidente do Conselho de Administração da ENSA, Manuel Gonçalves, avaliou as vantagens do impacto internacional do prémio, nos seguintes termos: “O prémio ENSA-Arte tem promovido, de forma crescente, uma imagem positiva de Angola a nível internacional, depois de ter atingido grandes patamares fora das nossas fronteiras. Importa referir que a colecção da ENSA  esteve presente em algumas das maiores montras das artes  plásticas do mundo, com o principal  destaque para a Bienal de Veneza, em 2013.
 Neste processo, o prémio acabou por constituir um dos  cartões de visita da política de mecenato, assumindo, decididamente, o compromisso de inovar. Aproveito esta singular oportunidade para agradecer o trabalho de promoção e intercâmbio que tem vindo a ser estabelecido entre os artistas nacionais e os criadores de outras geografias, através do prémio “Alliance Française”, que tem concedido a cada edição, uma bolsa de residência artística.
Julgo oportuno informar que demos um grande salto no domínio da comunicação, com o lançamento, em Outubro  de 2015, da página do prémio ENSA-Arte, que presta informações em tempo real, uma iniciativa que rendeu  mais  de mil seguidores, com visualizações  provenientes  de dezassete países dos mais  variados pontos  do  mundo”.
Segundo a Direcção de Marketing da seguradora angolana, concorreram ao grande Prémio ENSA-Arte, edição 2016, trinta e oito obras de escultura e pintura, de vinte e sete artistas, rigorosamente seleccionadas pelos membros do júri, que estão expostas no Centro Cultural Brasil-Angola, até o próximo dia 27 de Maio de 2016.

Natureza

O Prémio ENSA-Arte, voltado para os domínios da pintura e escultura, é um galardão de âmbito nacional com periodicidade bienal, e tem como destinatários jovens artistas e conceituados criadores que protagonizam as suas tendências estéticas nestes dois domínios da arte. Num primeiro momento, o prémio ENSA de pintura, partiu dum sentimento de natureza cultural que levou a direcção da ENSA a perceber muito cedo, do vazio que existia em termos de movimento artístico após a independência nacional, aliada a necessidade de comemorar a data dos aniversários da empresa com algumas actividades culturais, bem como da vontade de incentivar e premiar a criatividade dos artistas angolanos, daí a sua estabilização e prestígio a nível nacional.

História

Considerado uma referência no panorama das artes plásticas angolanas, o Prémio ENSA-Arte foi instituído em 1991, altura em que começou o concurso ENSA de Pintura, tendo a ideia surgido em 1990 a partir de uma exposição colectiva de sete pintores angolanos: Viteix, primeiro artista premiado, Henrique Abranches, Augusto Ferreira, Jorge Gumbe, António Ole, Telmo Vaz Pereira e José Zan Andrade. Em 1996, com a entrada da disciplina de escultura, o concurso passou a prémio com a denominação ENSA-Arte, agregando as duas modalidades. O Prémio ENSA-Arte existe há vinte e quatro anos, tendo sido realizadas treze edições. No entanto, a colecção ENSA-Arte como tal, existe há dezassete anos.
O histórico das obras premiadas incluem “Banda jazzista”, de Viteix, Inquietações”, Kyel, “Um desfile”, de Jorge Gumbe, e “Evasão”, de Ana Silva. No entanto a colecção da seguradora, como estrutura funcional, começou com a admissão na empresa de um gestor, técnico formado em Artes Plásticas que passou a dar forma real do conceito Colecção Ensa-Arte, desde 1998, que começou com vinte e duas obras, das quais destacamos somente as seguintes: “Terra queimada”, de António Ole, “Um desfile”, Jorge Gumbe, “Chegadas ancestrais”, Viteix, “Os Cavalos no charco”, Ndunduma. Destinado a cidadãos angolanos residentes no país e no estrangeiro, bem como de cidadãos estrangeiros residentes legalmente em Angola, o Prémio ENSA-Arte é organizado a cada dois anos pela ENSA-Seguros de Angola, e compreende as categorias de Grande Prémio, Prémio Juventude, Prémio Especial Província e Prémio “Alliance Française” de Luanda.

Exposições

Quatro exposições marcaram o processo de internacionalização do Prémio ENSA-ARTE. A participação na Expo Lisboa, com “Metamorfoses contemporâneas”, em 1998, a participação na 55ª Bienal de Veneza, Itália, em 2013, a exposição no Museu Pré-histórico Etnográfico Luigi Pigorini, em Roma, Itália, e a exposição no Palácio Marquês de Pombal, em Oeiras, Portugal, em 2014. Este ano a organização do Prémio ENSA-Arte realizou duas exposições, uma das quais comemorativa dos quarenta anos da Independência de Angola, com o espólio da colecção da seguradora ao longo da existência do concurso, e outra que resultou da selecção das obras em concurso.

Gerações

Actualmente a colecção da ENSA inclui pintores da velha Geração: Viteix, António Ole, Tomás Vista, Van, Jorge Gumbe, Masongi, MpandaVita, Augusto Ferreira, Délio, Ndunduma, Marcela Costa, Zan Andrade, Telmos Vaz Pereira, Paulo Jazz, Raúl Indipwo e kyel, da geração Itermédia: António Gonga, Mayembe, Quissanga, Nunes, Luandino, Etona, Mampwia, Kiana, Hildebrando, Fineza Teta, Vitó Texeira, Peregrino Santana, Pina, Pedro Dala, Tchombé, Pierre, Tchivinda, Miguel Gonçalves, Ntangu, Álvaro Macieira, Sabby e Dafranca, e da nova geração: Sozinho Lopes, Ventura, Zizi, Sónia Lukene, Marcos Kabenda, Lino Damião, Kamutu, Landa Yeto, Vemba,Toko, Ângelo de Carvalho, Mayomona Vua, José dos Santos, Kapuka, Kioni, Sidónio, Luís Domingos, José Mununga.

Júri

Os nomes dos vencedores do Prémio ENSA-Arte 2016 foram revelados no dia 28 de Abril de 2016, tendo como júri o crítico francês de artes, Timothée Chaillou, os artistas plásticos Francisco Van-Dúnem, Van, Marcela Costa, artista plástica do atelier CELAMAR, Paul Barascut,  Director da Alliance Française de Luanda, e Tito Mateus, Director de Marketing da ENSA. O artista plástico Miguel Gonçalves foi o comissário do prémio e o curador da exposição.

Formação


O prémio ENSA-ARTE, edição 2016, introduziu a componente formativa, destinada a criadores previamente seleccionados, a ser realizada no Centro Cultural Brasil-Angola. Miguel Gonçalves, comissário do prémio, criador, formador e responsável do projecto, falou dos objectivos, estrutura e dos conteúdos formativos. “Decidimos organizar um “Workshops para jovens artistas”, participantes do ENSA-Arte, 2016, nos dias 18 de Junho, 25 de Junho e 2 de Julho de 2016, com até 15 candidatos, que irá acontecer todos os sábados, das 9h00 às 12h00. A docência será assegurada por mim e outros artistas convidados, e pretendemos dinamizar, além do concurso, a relação entre jovens artistas desta edição e das anteriores. Temos uma excelente relação com o Centro Cultural Brasil- Angola, um espaço que reúne condições ideais para a execução dos “Workshops”.
 Existe um número considerável de jovens, até 30 anos, que denotam uma grande vontade e sensibilidade artística, mas que carecem de formação, estes cursos foram criados a pensar neles. Teremos uma abordagem simples, com muitos exemplos, e uma componente prática. Foram identificados os jovens que serão convidados a assistir esta formação, dividida em três sessões, ou seja, duas teóricas e uma prática.
 O projecto consiste nos seguintes domínios de abordagens: Teoria geral, Composição nas artes visuais, Teoria da cor, Cânone da figura humana, e Introdução às artes plásticas. Estamos certos que os participantes terão a oportunidade de adquirir e partilhar conhecimentos imprescindíveis a uma melhor contribuição no mundo das artes plásticas, e será uma aposta viável na partilha de conhecimentos entre jovens artistas. Esperamos importantes resultados a curto prazo”.

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