Problemas de Luanda lembrados em palco

Adriano de Melo
18 de Dezembro, 2015

Fotografia: Santos Pedro

Alguns dos problemas sociais de Luanda são lembrados hoje a partir das 20h00 na Escola 14 de Abril, na Centralidade do Kilamba, pelo Enigma Teatro, na peça “A Grande Questão”.

A peça, uma sátira, que encerra a primeira fase do projecto “Cultura para Todos” criado pelo Pitabel e Administração da Centralidade do Kilamba, volta a ser apresentada amanhã e no domingo, no mesmo local e hora.
O encenador da peça Tony Frampénio disse ao Jornal de Angola que a peça pretende mostrar “a importância do respeito pelos princípios sociais e culturais que regem uma sociedade”. “As pessoas culpam os responsáveis da Administração pelo mau estado da centralidade, quando a responsabilidade pela melhoria das condições deve ser de todos”, declarou o responsável.
“A Grande Questão” é uma história de amor entre Luanda e o seu povo que devido a discordâncias termina num tribunal.
O encenador referiu que os seis actores que interpretam a peça “procuram chamar à atenção do público para as várias situações sociais que contribuem para denegrir a imagem da capital do país”.
Tony Frampenio afirmou que a peça, cujas personagens são Povo, Capital,  Advogado, Dona Justiça, Empresário e o Estrangeiro, “procura ser o mais abrangente possível e não se limita apenas a mencionar defeitos, mas sugere também soluções para alguns dos problemas que afectam Luanda”.

Iniciativas futuras


O encenador anunciou que o grupo está a preparar uma versão mais alargada da peça “Há Mar, Há Terra” construída à base de alguns dos momentos mais importantes do percurso histórico do país. A primeira versão, estreada em 8 de Janeiro, Dia da Cultura Nacional, com apenas 40 minutos, ganhou o prémio “Angola, 40 anos de Independência”.
Tony Frampeio disse que a peça, na qual são também recordados figuras da História de Angola, entre as quais Njunga Mbande, Deolinda Rodrigues, Kimpa Vita, Agostinho Neto, Inperial Santana e Lúcio Lara, passa a ter nesta versão o dobro do tempo de representação.

Próxima fase e formação


 “Cultura para Todos” regressa em 8 de Janeiro, com o grupo de teatro Etu Lene, que apresenta, também na Centralidade do Kilamba, a peça “O Feiticeiro e o Inteligente”, uma referência da dramaturgia nacional, que mostra as consequências do uso do feitiço para fins próprios.
Adérito Rodrigues, encenador do grupo Pitabel e mentor do projecto, disse ao Jornal de Angola que a primeira fase do “Cultura para Todos” foi um êxito, comprovado principalmente pela adesão do público, apesar da Escola 14 de Abril “ser um local adaptado por não reunir todas as condições técnicas necessárias para a apresentação condigna de espectáculos de teatro”.
“Foi uma fase experimental, mas conseguimos, com o apoio de outros grupos, apresentar todos os fins-de-semana peças de teatro na Centralidade do Kilamba”, disse e revelou que “o objectivo é que no próximo ano a iniciativa seja mais inclusiva e tenha a participação de outros grupos, como o Etu Lene, o Dadaísmo e  o Nguizane Tuxicane.
Nesta primeira fase do projecto “Cultura para Todos” participaram os grupos de teatro Oásis, Enigma, Amazonas e Protevida.
O Pitabel, disse, continua a promover diversas acções de formação, particularmente em artes cénicas, com alunos de escolas da centralidade do Kilamba e a criar programas especiais de teatro para crianças.
Adérito Rodrigues referiu que a ideia é aproximar mais o teatro das crianças e criar uma peça  especial para  festejar este Natal, além de ‘O Rei Leão’, adaptação do conto da Disney que estreia no domingo.

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