Produção de obras infantis regista elevada diminuição
Francisco Pedro
A escritora Iola Castro considerou, ontem, em Luanda, a produção de obras infantis muito baixa. “Muitas crianças ainda não têm a oportunidade de folhear livros, por não tê-los em casa, na biblioteca escolar, pois pouquíssimas escolas possuem bibliotecas e bibliotecas comunitárias também não existem”.
Literatura infantil ajuda a criar nas crianças uma relação entre o imaginário e a realidade Fotografia: Edições Novembro
Candidata ao cargo de secretária-geral da União dos Escritores Angolanos, Iola Castro afirmou a literatura infantil como o conjunto de textos cuidadosamente produzidos por um adulto, com o intuito de criar nos mais novos uma ligação entre o imaginário e a aplicação na vida. Disse que pretende manter a fidelidade com os seus leitores, dedicando-se sempre á criação de obras para crianças. “Continuarei a escrever sempre livros para crianças, pois, temo ser chamada de traidora pelos meus leitores que exigem muito de mim e eu gosto”.
No prelo tem a obra “Igual à ninguém”, uma história de uma menina que na escola ajuda um colega com quem ninguém queria andar nem brincar. De acordo com a sinopse, feliz com essa atitude, o colega diz à colega que ela era igual a ninguém. A menina lembrou-se que já tinha sido tratada como especial, maravilhosa, e que àquele tinha sido o mais bonito elogio, e que nunca o esqueceria. Iola Castro não acredita que haja no país um escritor que viva somente da literatura. “Não sei se existe um único escritor em Angola que já viva dos livros. O que eu gosto é que, apesar disso, eles têm sempre vontade de escrever, porque estão conscientes da sua responsabilidade social e a sua pobreza quando se fala que contribuir é quase nada, a satisfação que trazemos no espírito ao ver o que se tornam as pessoas que lêem os nossos é e será sempre maior”. Acrescentou que, “nem os Direitos de Autor recebemos”. Apesar disso, advogou que continuam a escrever e que muitos são os textos hoje estão não mas nas gavetas, mas “nos discos duros de computadores”. Iola Castro é autora de “A borboleta colorida e a linda Joaninha” ( 2005), “Vuvu kyetu” (2006), “O menino pescador”, “O lápis de cor rosa”, “Os três irmãos e as duas mangueiras” (2007), “Dois reis no céu para terra” (2008), “O menino dos olhos cintilantes” (2009), “O golozo” (2010), “A boneca de trapos” (2011), “A grande chegada” (2012), “Tchissola e Hossi”
(2013) e “Sonhos bordados”(2013).
Mesa-redonda
O INIC-Institutto Nacional das Indústrias Culturais realiza hoje, a partir das 10 horas, uma mesa-redonda, no Magistério Mutu-Ya-Kevela, em Luanda, que inclui várias palestras para comemorar o 2 de Abril, Dia Internacional do Livro Infantil. Os temas das palestras são “As técnicas editoriais e o papel do editor na cadeia do livro”, “O livro escolar em Angola”, “A problemática de distribuição do livro em Angola” e “O livro digital: exemplo”. Aberto para escritores, editores, activistas culturais, ilustradores, estudantes e pessoas interessadas, a mesa-redonda tem a parceria do INIDE - Instituto Nacional de Investigação e Desenvolvimento da Educação, Movimento Lev'Arte, Centros Culturais, do Clube do livro e da Plataforma Bicot- portal de venda de livros. O programa reserva, também, um momento cultural com música, teatro, declamação de poesia, e exposição e venda de livros. A mesa-redonda, de acordo com uma nota do INIC, visa dar corpo aos objectivos da Política do Livro e da Leitura Pública, bem como responder às expectativas da sociedade quanto à necessidade de promoção do livro e da leitura junto da família, dos educadores e, principalmente, das crianças. A Política do Livro e da Leitura Pública resulta do Despacho Presidencial nº 123/18, cujo objectivo é tornar o livro num objecto acessível, quotidiano, dado o seu papel de um importante veículo de transmissão do saber e da cultura, e um valioso meio de apoio a pesquisa social e científica, à conservação do património cultural, à mudança e aperfeiçoamento social, e um vector fundamental no combate ao analfabetismo. O Dia Mundial do Livro Infantil é celebrado por iniciativa do Conselho Internacional sobre Literatura para os Jovens (IBBY), que instituiu a data em 1967, para homenagear o escritor dinamarquês Hans Christian Andersen, autor de algumas das histórias para crianças mais lidas em todo o mundo, cujo aniversário do nascimento é assinalado a 2 de Abril.