Produção cinematográfica é inexistente

Mário Cohen |
22 de Outubro, 2015

Fotografia: Eduardo Pedro |

O cineasta Óscar Gil, presidente da Associação Angolana dos Profissionais de Cinema e Audiovisual (APROCIMA), afirmou ontem, em Luanda, ser inexistente a arte cinematográfica nacional, ao longo dos 40 anos de Independência de Angola.

Em declarações, ao Jornal de Angola, por ocasião do primeiro aniversário da APROCIMA, comemorado terça-feira, o realizador disse ser necessário fazer-se uma reflexão sobre o que já se produziu no país no domínio do cinema nessas últimas quatro décadas e “vamos ver que não se fez praticamente nada”.
Óscar Gil explicou que as únicas produções de realce a nível de produção do cinema nacional, no pós-independência, são o “Comboio da Canhoca”, de Orlando Fortunato, “Cidade Vazia”, da Maria João Ganga, e “O Herói”, de Zezé Gamboa.
“Se Angola produzisse anualmente um filme, o cinema nacional ganharia um outro rumo para o progresso” afirmou o cineasta, tendo recordado que as últimas produções cinematográficas nacionais são “Rainha Njinga” e “I Love Kuduro”, que têm participado em vários festivais internacionais.
Para o presidente da APROCIMA, a produção dessas longas-metragens são insuficientes para um país que quer ver desenvolvida o cinema. “Não se admite que um país como Angola não tenha mais de dez filmes de qualidade produzidos”, disse.
Óscar Gil disse que o estado actual do cinema no país é precário, razão pela qual os filmes produzidos pelos jovens realizadores não têm qualidades para representar o país em festivais internacionais de cinema.
Os filmes produzidos pelos jovens realizadores, disse, apresentam conteúdos que têm grande erros de produção e o cinema é uma grande arte que tem parâmetro e regras que muitos desses jovens realizadores desconhecem.
Quanto ao balanço do primeiro ano de existência da APROCIMA, o cineasta frisou que a nível de produções o saldo é negativo, porque não se fez nada de concreto, por não existirem condições no país para uma aposta séria no cinema nacional.  “O cinema nacional está moribundo, não há produção, dinheiro e investimento para a cultura. Antes da crise não havia grandes investimento a nível do cinema e agora que país está em crise a situação piorou”, concluiu Óscar Gil.
Apesar de acções esporádicas no capitulo da formação de jovens com vontade de apresentar, salientou Óscar Gil, não se dá passos sólidos e concretos de maneira a atingir o objectivo, que é passar conhecimentos a nova geração.
“A sobrevivência da associação depende da quotização dos poucos membros fieis a instituição”, revelou o realizador, tendo acrescentado que “o cinema em qualquer parte do mundo é uma arte cara e ninguém faz cinema só porque tem vontade”.
O secretário da área de formação e técnica da APROCIMA, Sérgio de Oliveira, disse que o estado actual do cinema em Angola, não mudou muito, porque temos ainda vários problemas como a falta de produção e de espaços para exibições.
A falta de escolas especializada  e o pouco investimento feito ao desenvolvimento do cinema nacional foi apontado por Sérgio de Oliveira como sendo os grande problemas que emperram a transmissão de conhecimentos aos jovens realizadores.

capa do dia

Get Adobe Flash player




ARTIGOS

MULTIMÉDIA