Profissionais do cinema são cada vez em maior número

Francisco Pedro |
11 de Novembro, 2015

Fotografia: Fracisco Pedro

O sector do cinema e dos audiovisuais regista um crescimento contínuo em relação as pessoas interessadas em seguir uma carreira nesse ramo artístico.

Actualmente, são mais de 180 realizadores registados pelo no Instituto Angolano de Cinema, Audiovisual e Multimédia (IACAM), a nível do país.
Deste universo, incluem-se profissionais das quatros gerações que marcam a trajectória do cinema angolano, embora alguns da primeira geração tenha optado por outros sectores, por razões económicas.
Os trabalhos produzidos pela primeira geração do cinema angolano, entre 1975 e 1985, serviram  para sustentar a programação da então Televisão Popular de Angola (TPA). Os quadros deste órgão de comunicação social trabalhavam também para as estruturas do cinema.
A primeira geração deixou um acervo de mais de 230 títulos, na sua maioria documentários, parte dos quais depositados na Cinemateca Nacional, que garante a conservação e protecção da cinematografia nacional.
Desta geração, considerada a da época áurea do cinema angolano, existem obras intemporais designadas por “clássicos do cinema angolano": “Faz Lá Coragem Camarada” e “Nelisita”, de Ruy Duarte de Carvalho, “Carnaval da Vitória”, “Conceição Tchiambula: Um dia, Uma Vida” e “Ritmo do Ngola Ritmos”, de António Ole, e “Kiala Mukanga”, de Henrique Ruivo Alves e Manuel Tomás Francisco.
Alinham-se ainda “Memória de um Dia”,  de Orlando Fortunato, “Levanta, Voa e Vamos” e “A Luta Continua”, de Asdrúbal Rebelo, “Ngudi a Khama”, de Manuel Mariano, “Caçulinhas da Bola”, de Beto Moura Pires, “A Reconstrução Nacional na Agricultura”, de Leonel Efe, e, também, como obra refencial o programa “Opção”, de Carlos Henriques, emitido pela TPA, sobre as batalhas militares .
Entre os realizadores da primeira geração, António Ole, Ruy Duarte de Carvalho, Carlos Sousa e Costa, Orlando Fortunato, Asdrúbal Rebelo, Manuel Mariano, Salgado Costa, Leonel Efe, Francisco, Víctor e Carlos Henriques, Beto Moura Pires,  Raul Correia Mendes (Kikas), Henrique Ruivo Alves, Raimundo Sotto Mayor, Diogo Agostinho, Afonso Salgado e Costa, Denise Salazar, Miguel Petchkovsky, Carlos Oliveira, Jorge Gouveia, Álvaro Correia, Raúl de Almeida, João Jardim, Correia Mendes, Carlos Pinho, entre outros.
Como infra-estruturas, anos depois da proclamação da Independência Nacional, foram criados o Instituto Angolano de Cinema (IAC), o Laboratório Nacional, a Empresa de Distribuição e Exibição de Cinema (Edecine) e a Cinemateca Nacional, instituições públicas que garantem a execução da política do cinema e audiovisual no país que, embora tenham passado por algumas mudanças drásticas, em função da mudança do sistema monopartidário para multiparditário, ocorrido em 1991, continuam activas.

Segunda geração


Parte dos realizadores e demais profissionais que  despontaram na segunda geração, entre 1985 e 2000, começaram também por actuar no mercado do cinema e audiovisual tendo como ponto de partida a TPA, entre os quais Zezé Gamboa, Dias Júnior, Tomás Ferreira, Mariano Bartolomeu, Nguxi dos Santos e  José Silvestre, enquanto outros partiram do Laboratório Nacional de Cinema e do Instituto Angolano de Cinema, como Gita Cerveira (engenheiro de Som), José do Nascimento (engenheiro de som), Domingos Magalhães (montador) e Ezequiel Pedro (produtor). Junta-se ainda Ventura de Azevedo e Maria João Ganga, que fez uma ligeira transição do teatro para o cinema, após a sua formação em Paris, França.
Embora a guerra tenha prejudicado as acções do Estado no que concerne ao financiamento de produções cinematográficas, tal aconteceu com a ficção “Comboio da Canhoca”, de Orlando Fortunato, cujas primeiras filmagens foram interrompidas em 1986. Houve um investimento significativo em relação à formação no exterior, com o envio de bolseiros para a Escola Internacional de Cinema e Televisão San António de los Baños, em Havana, Cuba, enquanto outros seguiram para Portugal onde fizeram cursos de superação na RTP.
Na segunda geração dá-se o surgimento das primeiras produtoras audiovisuais, como a Mundo Visão, Arte Imagem, “Dread Locks”, Kissama Audiovisuais, Óscar Gil Produções, e outras, que dão início ao cinema independente. Actualmente há 35 produtoras nacionais, de acordo com os dados do IACAM. Esta fase também marca o início das novelas e séries de produção nacional, dos documentários comercias e de autor, incluindo filmes promocionais (ou institucionais), publicitários e videoclipes.
O realizador e actor Tomás Ferreira “Walter”, profissional da TPA, afirma-se como o mais produtivo, com duas dezenas de curtas-metragens e as séries “Vanda Lemos”, “Um Homem Nunca Chora”, “Caminhos da Vida”, “O Ninho”, “Feliz Ano”, “Caminhos Cruzados" e "Angola Chama-te". Fora da TPA foram produzidos os filmes “366 Dias - Ano Bissexto” (1993), de Domingos Magalhães, “O Sol Ainda Brilha”, “Caribeando”, “Um Lugar Limpo e Bem Iluminado”, em 1988, e “O Que Faz Correr Quim” (1991), de Mariano Bartolomeu, “O Mártir de Marta” (1991), de Ventura de Azevedo, “Dessidência” (1988), “Mopiopio, Sopro de Angola” (1991) e “O Desassossego de Pessoa” (1999), ambos de Zezé Gamboa e “O Último Combate”, de José Silvestre.
Os documentários produzidos pela Dread Locks, entre os quais “Um Homem Enterrado Vivo”, “O Comboio Para a Vida”e “Gaivota Negra”, de Nguxi dos Santos, e “Arte Nativa”, de Dias Júnior, também são dignos de destaque nessa época, tal como “Sede Viver”, “Caminhos Cruzados”, emitidos pela TPA. Merecem ainda referência, no final desta época, a produção das longas-metragens “O Herói”, de Zezé Gamboa, “Na Cidade Vazia”, de Maria João Ganga e “Comboio da Canhoca”, de Orlando Fortunato, embora este último pertença à primeira geração.

Terceira geração


Dois anos depois da entrada do Século XXI, em 2002, Angola alcança a Paz e começa em todo o país um ambiente de estabilidade política, económica e social, que propiciou o surgimento de festivais de ambito nacional, destinados a produções experimentais. Foi neste ambiente que em 2004, novas as novas tendências do cinema angolano se despontaram, com o surgimento da terceira geração de realizadores, nomeadamente Carlos Araújo, Dorivaldo Fernandes, Alem Mamona, Pocas Pascoal,Manuel Terramoto, Domingos Geovete, Nástio Mosquito, Francisco Keth, Francisco Júnior, Francisco Cáfua, Adriano Botelho, Mawete Paciência, Bijú Garzim,  Henrique Narciso “Dito”, Kiluanje Liberdade, Manuel Narciso “Tontón”, Francisco Simões, Gabriel Raimundo, Miguel Castelo, Aquieles Salvador, Edilson Jorge e muitos outros jovens realizadores.
Nessa fase, são produzidos os filmes “Há Sempre Alguém Que Te Ama”, “Aida e Maria: Aqui Tudo Bem”, “A Última Squad”, “Única Filha”,“A Zungueira”, “O Amor de Mariana”, “Encurralada”, “A Filha do Nada”, “O Flagelo”, “Travessias em Locais Inapropriados”, “A Juventude e o Álcool”, “O Mistério de Yanguita”, “O Roubo”, “Reis dos Reis”, “Sofia e Mar”, “Mãe Jú”, “O Regresso dos Que Nunca Foram” e “Assaltos em Luanda I e II”, “I Love Kuduro”, “Windeck” “Njinga- Rainha de Angola”, “Jikulumeso”, “Yetu - A Nossa Música”, “Umukulu” e “Tchikena”.
 
Perspectivas


Maior dinamismo e intervenção do sector constam das metas do IACAM, dando continuidade às acções de formação em parceria com a Associação Angolana dos Profissionais de Cinema e Audiovisual (APROCIMA), criada a 16 de Agosto de 2014.
O IACAM advoga trabalhar com o desempenho dos profissionais angolanos para formação da nova geração, por sinal a quarta geração que aos pocuos está a surgir, mesmo com a inexistência de um mercado cinematográfico, o futuro é promissor pois com a aprovação da Lei do Mecenato e do seu  regulamento foi lançado um desafio ao empresariado nacional.
Com mais de 60 membros, a Associação Angolana dos Profissionais de Cinema e Audiovisual, agremiação cinematográfica sem fins lucrativos, tem como propósito social o desenvolvimento e a promoção do cinema angolano, incluindo a teledramaturgia e toda a produção audiovisual, bem como a defesa dos direitos e interesses dos seus associados.
Em relação a exibição e distribuição, a Edecine, empresa que assume essa vertente, tem um programa de reabilitação das salas de cinema quer em Luanda, quer no interior do pais, e um projecto para a exibição de filmes nacionais. Em Luanda, já foram reabilitadas o Cine Atlântico, Cine Tivoli e Cine São Paulo, enquanto em Malanje o Cine Njinga. Benguela, Cunene e outras províncias aguardam de financiamento e parceiras para que sejam realibitadas as salas de cinema que são propriedades do Estado, pois as demais são privadas.

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