Proibição de "Êxodo" gera polémica


4 de Janeiro, 2015

Fotografia: AFP

A recente proibição em Marrocos do filme norte-americano “Êxodo: Deuses e reis”, que narra a história de Moisés no Egipto, causou controvérsia dentro do país, inclusive no Governo.

Desde há duas semanas, com a proibição da superprodução bíblica, dirigida por Ridley Scott, vários veículos da imprensa laica no país demonstram indignação pela censura, enquanto os círculos religiosos a abençoam.
O filme havia obtido uma “licença de exploração comercial” antes dos proprietários das salas receberem a ordem de retirá-lo de cartaz, inclusive quando já estava a ser exibido.
O director do Centro Cinematográfico de Marrocos (CCM), Sarim Fasi Fihri, disse à Agência Efe que uma instância formada pelo CCM, pelos Ministérios de Cultura e de Comunicação e representantes de distribuidoras de filmes aprovou “Êxodo” num primeiro momento, mas com “reservas” do Ministério da Comunicação, dirigido pelo islamita Mustafa Jalfi.
Após uma segunda reunião da comissão, os membros decidiram por “unanimidade” proibir o filme bíblico ao considerar que faz “uma representação icónica de Deus”, algo que “não é permitido nas religiões divinas (monoteístas)”, ressaltou Fasi Fihri. O argumento da comissão refere-se a uma cena do filme em que Moisés aparece a falar com uma criança vestida de branco que transmitia palavras de Deus. “A figura da criança foi interpretada como encarnação divina porque, quando Moisés pergunta a sua identidade, ela diz: ‘sou...’”, sem terminar a frase.
O director do CCM insistiu que a comissão proibiu “Êxodo” por “encarnar Deus” e não por outros motivos pelos quais o filme foi criticado, como “distorcer factos históricos” (como ocorreu no Egipto), já que, segundo ele, trata-se de uma “história de ciência e ficção”.
Fasi Fihri acrescentou que estão em contacto com Ridley Scott e a produtora americana 20th Century Fox para chegar a uma solução que permita exibir o filme, como fazer um corte na cena polémica. A imprensa marroquina afirma que a proibição aumenta uma tensão entre os partidos membros da coligação governamental formada pelos islamitas do Partido Justiça e Desenvolvimento (PJD) e outros três partidos não confessionais.

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