Proibida venda de carta de Colombo


18 de Março, 2015

Fotografia: Reuters

O Tribunal Superior de Justiça de Madrid proibiu a Fundação Casa de Alba de leiloar em Londres uma carta enviada em 1498 por Cristóvão Colombo ao filho Diogo, noticiou o diário espanhol “ABC”.

Diego Colón foi o primogénito e único filho legítimo de Colombo, fruto do casamento do navegador com a portuguesa Felipa Moniz Perestrello.
Diogo, nascido entre 1476 e 1480 em Lisboa ou na ilha do Porto Santo, arquipélago da Madeira, a onde chegou por volta de 1485, após a morte da mãe, quando recebeu a carta. Ligou-se à casa de Alba em 1508, ao casar com María de Toledo, sobrinha do duque de Alba.
A maioria dos bens deixados pelo navegador permaneceu em posse daquela família.      
A carta que a Fundação Casa de Alba tenta há dois anos leiloar foi avaliada em 21 milhões de euros pela Christie’s.
Os seis filhos e herdeiros de María del Rosario Cayetana Fitz-James Stuart y Silva, a 18ª duquesa de Alba, que morreu no ano passado, alegam que o documento não menciona qualquer assunto oficial da coroa espanhola, que trata de assuntos estritamente pessoais e já está editada em versão para estudo.
A Fundação Casa de Alba também referem que os fundos obtidos com a venda da carta se destinavam à preservação da colecção de pintura, escultura e artes decorativas da instituição.
O tribunal deu razão à Junta de Classificação, Valorização e Exportação de Bens do Património Histórico, que em 2013 interditou a venda do documento e a sua saída de Espanha devido “à importância de Cristóvão Colombo e das colecções” relacionadas com ele.
O mesmo organismo pediu a abertura do processo de classificação da carta como “bem de interesse cultural”. A decisão foi ratificada no ano passado pelo Ministério da Cultura.    
O “ABC” noticiou que a carta de Colombo faz parte de um conjunto de 21 que estão nos arquivos da casa de Alba, 12 das quais enviadas pelo navegador ao primogénito.
O jornal espanhol revela que a leiloeira Christie’s é de opinião que “não pode ser considerada uma das mais importantes”. A resolução judicial salienta que “tem um valor evidente” e refere o “cariz emocional” do documento histórico.
 “A carta tem uma importância evidente, económica e de ordem histórica e cultural”, acentua a decisão do tribunal, que diz “perceber, mas não partilhar” o interesse da Fundação Casa de Alba em vendê-la.

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