Cultura

Projecto franco-alemão oferece 40 mil euros

Francisco Pedro

A França e a Alemanha têm disponíveis 40 mil euros para acções de divulgação do património museológico nacional, criado pelo Fundo Cultural Franco-Alemão e que se estende entre Maio e Dezembro próximo.

Projecto visa aperfeiçoar a concepção das exposições e dar maior visibilidade ao museu
Fotografia: Eduardo Pedro|Edições Novembro

O fundo consta do projecto de valorização do património cultural angolano, tem o apoio das empresas Air France e Krones Angola e insere-se no Ano Europeu do Património, coordenado pela Comissão Europeia.
De acordo com o embaixador francês, esse valor inclui deslocações de peritos estrangeiros ao país para a realização de seminários, catalogação, restauro e tratamento de peças museológicas para divulgação em plataformas digitais, tais como website e Facebook, entre outras.
Promover conferências, exposições, concertos e debates ao longo do ano, sobre o acervo museológico nacional, a aposta desta cooperação inspirada no lema “2018 - Ano Europeu do Património”.
Angola, adiantou o diplomata francês, já tem beneficiado do fundo desde 2014, em que se apoiou a Semana do Design. Este ano, a prioridade é a área do património quer na vertente material, quer imaterial.
As acções intensificaram com a realização do seminário “Mediações nos museus: novas abordagens às colecções”, entre 29 de Maio e 1 de Junho, no Museu Nacional de Antropologia, em Luanda.
O seminário, orientado por três especialistas alemães do Museu Etnográfico de Berlim, encerrou com uma conferência de imprensa presidida pela secretária de Estado da Cultura, Maria Piedade de Jesus, e dos embaixadores de França e da Alemanha, respectivamente.
A secretária de Estado da Cultura disse que o projecto só vem reforçar a exígua verba do Orçamento Geral do Estado (OGE) insuficiente para atender uma ampla necessidade sobre conservação e divulgação do património cultural a nível nacional, em que constam 275 bens classificados, na sua maioria reclama por restauro e recuperação. “Peças de valor histórico, tal como património edificado (civil, religioso e militar), que por razões do conflito armado e não só se degradaram, uma boa parte carece de manutenção, embora o OGE contenha essas rubricas, os valores nunca são suficientes para atender essas questões de memória colectiva”, respondeu a secretária de Estado da Cultura, Maria da Piedade de Jesus.
Uma das questões que muito aflige as direcções de museus em todo o mundo prende-se com a segurança das peças, embora esse assunto não tenha merecido a atenção dos peritos e dos diplomatas no decurso da conferência de imprensa.
Maria da Piedade de Jesus informou que existe um trabalho conjunto com uma fundação cultural para a recuperação de mais peças que se encontram no estrangeiro, desta vez em Bruxelas, nos próximos meses. Por outro lado, apelou às instituições académicas para que possam colaborar na identificação de peças furtadas bem como a localização das mesmas no exterior, para posteriores negociações para o repatriamento.
O embaixador da Alemanha considerou o projecto importante porque “não só do pão vive o homem”, citando uma passagem da Bíblia Sagrada, razão pela qual a França e a Alemanha decidiram criar esse projecto, porque “para sabermos quem somos, temos que conhecer a nossa história”, argumentou o diplomata.
A partir do seminário, disse, abre-se uma parceria permanente entre o Museu Nacional de Antropologia e o Museu Etnográfico de Berlim, para divulgação do acervo, bem como para troca de experiências entre os técnicos.
O seminário teve como objectivos aperfeiçoar a concepção das exposições, dar maior visibilidade e acessibilidade ao museu, assim como restaurar e preservar a colecção, abrangendo mais de seis mil peças com um altíssimo valor histórico, que fazem parte do Museu Nacional de Antropologia.

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