Projecto Olongombe promove criadores


29 de Julho, 2016

Fotografia: Paulino Damião

Uma exposição colectiva e itinerante dos artistas plásticos consagrados António Ole, António Gonga, Mário Tendinha, Masongui Afonso, Paulo Amaral e Paulo Kussy é realizada de 4 de Agosto a 23 de Setembro, na rota ascendente de Sul para Norte, do Namibe ao Lubango, seguindo-se Benguela e finalmente Luanda.

A iniciativa do projecto Olongombe, em parceira com o Camões - Centro Cultural Português, visa homenagear os povos pastoris de Angola e o escritor e antropólogo Ruy Duarte de Carvalho e vai estar patente ao público de 4 a 8 de Agosto no Namibe, na  Feira Agro-Pecuária, de 10 a 14 do mesmo mês, no Lubango, na Feira do Gado, de 18 a 21 de Agosto, em Benguela, na Mediateca, e de 1 a 23 de Setembro, em Luanda, no Camões.
Os seis consagrados artistas plásticos angolanos juntaram-se em torno de uma ideia, da qual resultou um projecto artístico a que deram o nome de Olongombe (manada de gado em umbundo), concretizado numa exposição colectiva e itinerante que vai reunir obras de pintura, desenho, escultura e instalação, unidas pela temática comum em torno do “gado”.
De acordo com um comunicado do Camões, ao evocar as comunidades pastoris do Sul de Angola, de que os kuvale são paradigma, Olongombe remete-nos, incontornavelmente, à obra do escritor, historiador, antropólogo e poeta angolano Ruy Duarte de Carvalho, a quem os seis criadores também pretendem homenagear com este trabalho. 
O projecto Olongombe desenvolve trabalhos artísticos em torno do gado, figura central e riqueza maior dos povos kuvale, tão bem descrito por Ruy Duarte de Carvalho na sua obra “Vou lá visitar pastores”, que transforma  em poesia “memórias históricas, migrações, pastagens, solos, climas, percursos milenares, rumos traçados por gerações há muito extintas, legados e destinos, num quotidiano animado pela urgência viril das transumâncias.”
Olongombe recorda a importância deste modo de exploração animal, fundado na mobilidade/circulação do gado. Um equilíbrio entre pastos, água, manada, força de trabalho e consumo. Toda uma economia a gravitar à volta do gado. Da paisagem ao consumo do leite.  Os seis artistas de gerações diferentes, oriundos de lugares diferentes do país, com percursos  artísticos, experiências e histórias de vida diferentes, embarcaram na aventura Olongombe reconstruindo caminhos perdidos da transumância.

Perfil do escritor

Ruy Duarte de Carvalho nasceu em 1941, em Santarém, Portugal, e faleceu em 2010, em Swakopmund, na Namíbia. Foi um escritor, cineasta e antropólogo angolano.
Português de nascimento, passou a infância em Moçâmedes, hoje Namibe, voltando a Santarém, em 1955. Depois do curso de Regente Agrícola, tirado na Escola Superior Agrária, em 1960, foi exercer funções na Estação Experimental do Caraculo, na então Moçâmedes, e trabalhou também nos sectores da cafeicultura e da pecuária.
Em 1972, parte para Londres, a fim de estudar realização de cinema. Ao regressar, foi admitido na Televisão Popular de Angola, como realizador. É autor dos longa-metragens “Nelisita: narrativas nyaneka” (1982) e “Moia: o recado das ilhas” (1989). Adquirindo a nacionalidade angolana em 1983, voltou a sair da antiga colónia para se doutorar em Antropologia, na École des Hautes Études de Sciences Sociales, em Paris. A partir de 1967, conciliou a escrita, o cinema e o ensino na Universidade de Luanda. Como professor convidado, leccionou também nas universidades de Coimbra e de São Paulo, no Brasil.

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