Promotores culturais pedem mais apoio

André Brandão | Ndalatando
6 de Julho, 2014

Fotografia: Nilo Mateus | Ndalatando

A falta de espaços para a realização de espectáculos de teatro, o pouco reconhecimento e valorização das artes cénicas, assim como a falta de incentivos, são as causas do fraco interesse dos promotores culturais do Cuanza Norte por esta arte.

As preocupações foram apresentadas pelos promotores culturais, durante uma palestra sobre “A importância da dança e do teatro no resgate dos valores culturais”, que decorreu no anfiteatro Arminda Faria do Instituto Médio de Saúde, no âmbito do segundo Festival Nacional da Cultura (FENACULT-2014).
De acordo com os promotores, além dos actores, os dançarinos também estão sem um espaço para mostrarem o seu talento e um público educado para assistir os espectáculos de dança realizados na província.
A desvalorização desta arte, adiantaram, os tem desmotivado, até mesmo a continuarem  os seus projectos ligados a estas artes. “É preciso que exista uma mudança de atitude imediata, porque os artistas dificilmente são chamados a participarem nas actividades, mesmo as realizadas pelo Governo", disse.
O chefe do Departamento de Artes e Acção Cultural local, Marcos Jerónimo, lamentou a falta de incentivos financeiros, ou institucionais, às artes no Cuanza Norte.
O responsável sublinhou que existem na província 46 grupos de dança moderna e outros 43 de dança tradicional, assim como mais de 100 actores  e músicos, que ainda carecem de espaço para os ensaios.
Apesar das inúmeras dificuldades que os grupos enfrentam, Marcos Jerónimo considerou satisfatório o trabalho realizado por estes até agora e destacou que a sua instituição continua a fazer de tudo para obter mais ajudas junto dos empresários para a classe.
A falta de uma escola de dança, disse, tem impossibilitado igualmente o crescimento destas artes. No Cuanza Norte, contou, os bailarinos e actores fazem os seus ensaios e apresentam os seus espectáculos ao som dos instrumentos de música tradicional, como a marimba. “Temos um vasto e rico acervo, que apenas precisa ser melhorado, através do apoio e participação de todos", justificou.
O Cuanza Norte, informou Marcos Jerónimo, tem diversas danças tradicionais, que são parte essencial do folclore local, por elevarem a cultura da província e precisam duma  maior abertura para continuarem a fazer parte do mosaico artístico. “Corremos o risco de ver muitas destas danças desaparecerem, porque a passagem de testemunho não está a ser feita, ou delas serem deturpadas, porque os jovens a quem são ensinados os passos não têm como divulgar os mesmos, devido a falta de oportunidades", lastimou.
“A dança e o teatro fazem parte das manifestações culturais de qualquer povo, que vive em sociedade, comunidades ou pequenos grupos étnicos, assim como constitui também uma expressão do sentimento e dos hábitos de uma região", fundamentou.

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