Quadro de Matisse regressa à Venezuela


12 de Julho, 2014

Fotografia: DR

O quadro “Odalisque à la culotte rouge” (“Odalisca com calças vermelhas”), do pintor francês Henri Matisse, regressa à Venezuela, mais de uma década depois de ter sido furtado do Museu de Arte Contemporânea de Caracas (MACC).

A tela, pintada em 1925 e avaliada em dois milhões de euros, esteva exposta numa galeria em Nova Iorque até 1981, ano em que foi comprada pelo Governo venezuelano, que a integrou na colecção do Museu de Arte Contemporânea de Caracas (MACC). 
De onde desapareceu, não se sabe quando, porque os ladrões deixaram uma falsificação que passou despercebida. O que se sabe é que, em Julho de 2012, a pintura verdadeira foi encontrada nos Estados Unidos, no decurso de uma operação sob disfarce liderada pelo FBI. A imagem estava bem conservada, “apenas com pequenas imperfeições nas suas extremidades”, como revelou Joel Espinoza, funcionário do escritório do procurador-geral da Venezuela.
No decurso da operação, Pedro Guzmán e María Lazo foram condenados a 33 e 21 meses de prisão por transporte inter-estatal de propriedade roubada e por posse de obra roubada, quando tentaram, num quarto de hotel em Miami, vender a obra de arte por 515 mil euros. Para a polícia, a troca desta pintura por uma falsificação aconteceu entre 1999 e 2002, mas o “El País" afirma que os investigadores acreditam que tudo pode ter acontecido anos antes, entre 1996 e 1997. A troca não foi percepcionada até 2003, ano em que os funcionários do MACC se aperceberam do sucedido. Quanto às hipóteses de como se deu o furto da obra, ainda são desconhecidas.
A jornalista Marianela Balbi, autora do livro “O Rapto da Odalisca" (2009) acredita que o quadro desapareceu em 1999, quando a Venezuela foi abalada pela “Tragédia de Vargas", recorda ainda o jornalista do “El País". Os danos provocados pelos desmoronamentos de terra anteviam uma possível inundação, sendo que, para salvaguardar a tela, ela foi levada para o segundo piso do museu, podendo nesse momento ter sido trocada por uma cópia da original.
Apenas no final de 2002 surgiram as primeiras notícias do desaparecimento do Matisse da colecção venezuelana. O então presidente Hugo Chavéz prometeu, em Janeiro do ano seguinte, investigar. Apesar disso, nos documentos judiciais do caso não se encontra especificada a participação das entidades venezuelanas na recuperação da “Odalisca".  A notícia de que este quadro de Matisse estava para ser vendido no México surgiu da coordenadora do Arquivo Matisse em Paris, Wanda de Guebriant, não existindo, contudo, até à data uma reacção oficial.
A polícia acredita que os agentes de segurança do MACC estiveram envolvidos no furto, mas conforme diz o “El País", “a acusação não avançou com esta pista”, acabando por não serem chamados a depor. Apesar disso, os implicados confessaram que “funcionários do museu tinham substituído o original por uma cópia”.

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