Quadro mais caro do Mundo em Espanha


4 de Julho, 2015

Fotografia: Reuters |

O quadro de Paul Gauguin que, em Fevereiro último, foi vendido por um coleccionador suíço a um comprador do Qatar por 300 milhões de dólares, transformando-se na obra de arte mais cara de sempre, está em exposição desde ontem, até 14 de Setembro, no Centro de Arte Rainha Sofia, em Madrid.

“Nafea faa ipoipo”, uma obra de 1892, vem juntar-se a uma das duas exposições com que o museu da capital espanhola está a mostrar, desde Março, algumas das obras mais relevantes do Kunstmuseum de Basileia, que tem a particularidade de ser municipal mas possui das maiores e mais importantes colecções da história da arte, com realce para a época moderna e contemporânea.
“Coleccionismo e modernidade – Dois casos de estudo: Colecções Im Obersteg e Rudolf Staechelin” e “Fogo branco – A colecção moderna do Kunstmuseum de Basileia” são as duas mostras do Centro de Arte Rainha Sofia.
O Museu do Prado apresenta também, simultaneamente, “Dez Picassos” provenientes do mesmo museu suíço Kunstmuseum, que entretanto entrou em obras e só reabre no próximo ano. O sub-director do museu madrileno de arte contemporânea, João Fernandes, explicou que “Nafea faa ipoipo” só agora chega à capital espanhola porque, até há pouco tempo, esteve exposto em Basileia, na Fundação Beyeler, numa mostra exclusivamente dedicada a Paul Gauguin (1848-1903).
“Nafea faa ipoipo” vem acrescentar-se a uma mostra que inclui trabalhos de alguns nomes maiores da história da pintura do último século e meio, de Cézanne a Van Gogh, de Monet a Pissaro, de Manet a Modigliani e muitos outros. Segundo noticia o jornal “El Mundo”, a apresentação do quadro de Paul Gauguin contou com a presença do seu anterior proprietário, o coleccionador suíço Rudolf Staechelin, que foi quem, no início do ano, decidiu colocá-lo à venda, dando como terminado o empréstimo da obra que a sua família tinha feito ao museu de Basileia, há mais de meio século.
Não há ainda confirmação oficial da identidade do comprador, mas tanto o “The New York Times”, que foi quem revelou os pormenores da venda, em Fevereiro, como o “El Mundo”, agora, apontam para que o quadro possa ter ido enriquecer a colecção da Autoridade dos Museus do Qatar, a mesmo instituição que, em 2011, tinha pago 250 milhões de dólares pelo quadro de Paul Cézanne, “Os jogadores de cartas”, assegurando então a venda mais alta do mercado mundial da arte.
“Nafea faa ipoipo” foi pintado por Gauguin um ano após a sua chegada ao Taiti. Representa duas mulheres jovens numa paisagem ao ar livre, uma delas usando a roupa tradicional da terra, outra com um vestido rosa de missionária.
O historiador de arte João Fernandes disse que se trata de “um quadro exemplar da forma como Gauguin projecta a construção do seu sonho de um Mundo perfeito, ressuscita o Éden original, a partir de uma cena do quotidiano taitiano”.
Para o antigo director do Museu de Serralves, as duas mulheres, a mais nova delas terá tido como modelo a companheira taitiana do pintor, Tehamanak, “representam a juventude paradisíaca, a beleza do desejo”. “O artista chama a atenção para o contraste das cores das roupas das mulheres com a paisagem em fundo, de onde estas se destacam. A cor deixa de ser representação e passa a ser a transformação da realidade”, acrescenta João Fernandes, que vê nesta pintura “um marco” na obra do pintor francês.
O também curador e crítico de arte disse estar preocupado quanto à situação em que os museus, espaços de exposição pública da arte, ficam neste mundo de economia globalizada e a especulação financeira.
“Nós, nos museus, ficamos preocupados sempre que vemos uma obra de arte atingir um preço que a torna inacessível, e por isso também invisível”, explicou. “Estes valores privatizam as obras de arte e afastam-nas do acesso público”, acrescenta, lembrando que a arte de Paul Gauguin, como dos outros grandes artistas, “é património universal”.
Sobre o destino do célebre quadro “Nafea faa ipoipo”, sabe-se apenas que, até 14 de Setembro, fica no museu Rainha Sofia, devendo posteriormente ser também mostrado numa exposição em Washington, nos Estados Unidos. Depois, ninguém sabe do seu destino.

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