Raio no céu evoca I Guerra Mundial


9 de Agosto, 2014

Fotografia: Reuters

Uma instalação especial, montada numa coluna de 15 quilómetros de altura, assinalou na quarta-feira os 100 anos do início da I Guerra Mundial no Reino Unido, com as luzes de edifícios como o London Eye ou o Palácio de Westminster apagadas, às 22h00, durante uma hora.

Nesse período, a “Spectra”, como foi denominada a instalação, era a única luz no céu de Londres, que é vista, a 19 quilómetros de distância, durante os próximos sete dias.
A instalação, de luz e som, montada no jardim do Victoria Tower, foi concebida pelo artista japonês Ryoji Ikeda, sob tutela da câmara municipal de Londres, através da “14-18 Now”, programa para controlar obras de arte que possam assinalar o centenário da I Grande Guerra.
No local, os visitantes têm uma visão mais etérea daquelas luzes transparentes que saem de pilares no chão. De perto podem ver-se as poeiras do ar e até os pássaros a cruzar as luzes e as pessoas são convidadas a aproximarem-se quando quiserem interagir com os feixes.
“A luz que Spectra lança na noite é um ponto de união”, disse Boris Johnson, presidente da câmara de Londres, ao jornal britânico “Guardian”. “É um eco de como a I Guerra Mundial afectou os londrinos e criou um laço mais profundo entre os britânicos, durante aqueles dias negros”, disse.
Para somar à luz, Ryoji Ikeda, que trabalha frequentemente com o som, criou uma faixa de música para dar ambiente a toda a experiência. Ondas de sons pouco definidos, com vários assobios e apitos são a característica principal da faixa. “Quando ‘Spectra’ foi apresentada em Barcelona, em 2010, as pessoas pensavam que eram extraterrestres”, disse Ryoji Ikeda ao “Guardian”, referindo-se aos muitos telefonemas para a polícia de espanhóis assustados com a visão.
“Spectra” não foi criada propositadamente para as comemorações dos 100 anos sobre a I Grande Guerra. A instalação já foi apresentada em Paris em 2008, com 64 focos de luz, e em Amesterdão, no mesmo ano, com 25 pontos luminosos, mas também em Nagoya, no Japão, em 2010, e em Buenos Aires, em 2012, sempre com formações diferentes.
Por agora Ryoji Ikeda quer ficar-se pelas 49 luzes em grupos de sete – o que requer um conjunto de 30 técnicos, a maioria da companhia que fez e instalou o desenho de luz da Torre Eiffel. São necessários quatro geradores alimentados a biodiesel. “Nos próximos sete dias, o total de energia consumida é o equivalente a dez ou 12 casas de família”, disse Ryoji Ikeda.
“Quando se vive a experiência de ‘Spectra’, qualquer contexto é subitamente esquecido. À distância, parece monumental e sólido, mas quando se está lá dentro, é inteiramente contemplativo. As pessoas ficam paradas a olhar para cima, maravilhadas. É uma experiência tão pura e directa que as pessoas levam-na para a sua vida”, conta o artista.
Para o japonês, a beleza da sua instalação está também naquilo que as luzes vão revelando e em como isso torna o espectáculo diferente de noite. “Eu até gostava que chovesse, porque quando chove aparecem vários arco-íris lá dentro”, disse, adiantando que no caso de chover torrencialmente “tem-se a sensação de agulhas de metal a caírem-nos em cima. A Natureza é sempre visível neste trabalho. Esse é o verdadeiro poder de ‘Spectra’”.

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