Realizador cria incentivos ao diálogo


3 de Outubro, 2014

Fotografia: AFP |

O realizador mexicano Guillermo Arriaga afirmou que a saga cinematográfica “El pulso del mundo”, na qual realiza o primeiro filme, “Falando com Deuses”, procura “provocar o diálogo entre os seres humanos” num momento no qual “o mundo se decompõe rapidamente”.


Em entrevista concedida à Agência Efe no Festival de Cinema do Rio de Janeiro, ele defendeu a necessidade de impulsionar o diálogo nos momentos em que “mais do que nunca precisamos de tolerância”.
“O mundo sofre uma série de conflitos muito fortes e desnecessários que poderiam ser resolvidos eficientemente através do diálogo e da tolerância”, afirmou o mexicano.
O projecto colectivo “El pulso del mundo” é uma saga composta por quatro longas-metragens, cada uma abordando um tema “tabu”, como religião, política, sexo e vícios. A expectativa é que participem nele até 40 realizadores.
Para Guillermo Arriaga, este é o momento de falar destes temas e deixar de “justificar” determinadas condutas. Na sua aposta pelo entendimento global, o autor tomou as rédeas de “Falando com Deuses”, primeira parte da saga que foi apresentada em 30 de Agosto no Festival de Veneza e composta por nove curtas-metragens de 12 minutos nas quais, além de Arriaga, outros oito realizadores, entre eles Héctor Babenco, dão visões pessoais sobre a religião.
Sobre as possíveis comparações do projecto com o documentário “Zeitgeist”, o mexicano disse que a “visão pessoal”, na maioria dos casos, representa um diálogo maior com o espectador do que o gerado através de um enfoque mais científico.
“O meu trabalho é fazer com que haja um balanço no filme. Que não sejam repetidos temas ou situações”, disse o realizador.
Lembrou que teve que rejeitar algumas vezes o material apresentado por alguns cineastas.
“Tenho que ver o filme como um conjunto com coerência, não como nove segmentos separados. É difícil dar nota a pessoas que você admira tanto”, ressaltou.
O filme também contou com a participação do escritor peruano Mario Vargas Llosa, que se encarregou de ordenar as curtas-metragens que compõem o filme. “Ele decidiu dar esta ordem de carácter histórico: desde a posição religiosa mais fundamental com Deus e a natureza até a mais contemporânea que é o ateísmo”, destacou. Arriaga ressaltou que os outros filmes da saga ainda não têm data de lançamento, já que primeiro precisam conseguir financiamento para filmar.
Quanto à sua participação nos próximos filmes, o autor disse que não os vai realizar, mas que vai ficar encarregado da produção.
“Morro de vontade de realizar (os filmes seguintes). Eu quero trabalhar com eles, mas quero que haja variedade de realizadores. Eu já fiz a minha parte”, acrescentou.
O mexicano, que alcançou um maior reconhecimento pelo seu trabalho como argumentista em filmes como “Babel” e “21 Gramas”, afirmou que é “muito mais difícil” escrever do que realizar, dado que a primeira das tarefas “é ter que criar um mundo a partir do nada”, enquanto com a segunda é preciso “interpretar”, mas destacou que gosta de ambos os lados.
“Falando com Deuses”, que foi exibido no Festival do Rio, é a segunda experiência de Guillermo Arriaga como realizador de uma longa-metragem, e a ideia dele é continuar a escrever e ser realizador.
“A minha carreira é para escrever e ser realizador. Vou escrever filmes apenas para mim. A menos que seja para alguém que admire muito, alguém por quem tenha uma admiração especial. Alguém do tamanho de Bertolucci”, destacou.

capa do dia

Get Adobe Flash player




ARTIGOS

MULTIMÉDIA