Realizador e argumentista elogiam cinema brasileiro


28 de Outubro, 2014

Fotografia: Divulgação

O realizador mexicano Guillermo Arriaga e o argumentista argentino Fernando Castets realçaram o papel do cinema brasileiro e destacaram o peso das suas histórias durante a 38ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, que termina no próximo dia 29.

Depois de uma conversa com futuros argumentistas e leigos, o realizador de “Amores Brutos” disse à Agência Efe que os brasileiros deviam “sentir-se orgulhosos pelo nível dos profissionais do seu país”.
Para Arriaga, há uma série de produções brasileiras que “tocaram e transformaram” o cinema mundial, entre elas “Pixote: A Lei do Mais Fraco” (1981), “Central do Brasil” (1998), “Cidade de Deus” (2002), “Ônibus 174” (2002) e “Tropa de Elite” (2007).
Durante o encontro, ambos fizeram avaliações sobre o trabalho dos colegas brasileiros, após uma piada que surgiu na conversa, na qual o moderador disse que os argumentos argentinos eram de “melhor qualidade” do que os brasileiros.
Castets, argumentista do aclamado “O Filho da Noiva”, refutou com bom humor a insinuação.
“É que vocês não viram tudo”, respondeu o argentino, que sublinhou haver argumentos “bons” e “maus” em todos os lugares.
Sobre as produções mexicanas, Arriaga considerou que estão bem e com “uma saúde muito boa”, uma vez que quando um filme do seu país está inscrito em festivais “ganha sempre algum prémio”. Além disso, os mexicanos contam ainda com realizadores como Alfonso Cuarón e Guillermo del Toro, de grande reconhecimento em todo o mundo.
Para ambos, o tempo é algo de muito importante na carreira profissional, e reescrever os textos é essencial.
Castets lembrou que ele próprio já chegou a fazer mais de 15 versões de um projecto, enquanto Arriaga confessou, em tom de brincadeira, que trabalhou mais de dois anos num argumento que passou por 75 versões diferentes.
“Encontro o peso nas palavras”, explicou o mexicano, que não permite que os actores improvisem com o texto dos seus argumentos, porque o seu trabalho é demorado para que possa mostrar exactamente o que espera comunicar.
“Para mim, escrever é uma luta contra a morte”, continuou Arriaga, que vê na sua obra uma forma de “sobreviver ao tempo”, o que justifica o facto de fazer tantas versões de uma mesma história.
Por seu lado, Castets afirmou que sente prazer em “reescrever” um texto e que cada vez que lê o que escreveu encontra novidades.
“Deixem que alguém leia o escrito antes de publicar, pois com esse exercício é possível reflectir nos comentários”, a­conselhou o argentino aos novos argumentistas.

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