Realizadoras ainda têm problemas


31 de Janeiro, 2015

Fotografia: Divulgação

A veterana actriz de 77 anos Jane Fonda falou ontem no Festival de Sundance, nos EUA, sobre o pouco número de mulheres a realizarem filmes em Hollywood e fez uma chamada de atenção aos estúdios no sentido de acabarem com as práticas de emprego orientadas pelo género.


A actriz não foi branda nas palavras: “É uma vergonha que os estúdios sejam tão tendenciosos no que diz respeito ao género.”
Jane Fonda foi convidada para uma conversa com a actriz Lily Tomlin, como parte da programação do Festival de Sundance. Respondendo ao desafio de que forma o facto de serem mulheres prejudicou a carreira, as duas actrizes, que em Maio têm uma comédia a ser exibida no Netflix, acabaram a defender a igualdade de género, admitindo ter sentido na pele algumas injustiças.
Jane Fonda, por exemplo, lamenta ter seguido um caminho fácil no início da sua carreira. A actriz vencedora de dois Óscares disse ter encontrado alguns entraves quando tentou impor as suas próprias ideias e projectos. Não houve agente que lhe arranjasse emprego, contou. E isto porque vivia num mundo muito masculino, em que os homens preferiam os homens, geralmente os que já conheciam. Uma situação que lamenta não ter mudado muito nos dias de hoje.
“Os estúdios são dirigidos por homens que têm como ponto de partida dar emprego a pessoas como eles”, defendeu a actriz vencedora de dois Óscares. “É uma questão de género, não que não tenhamos experiência”, continuou Jane Fonda.
“Temos de provar a todos em Hollywood que somos comerciais”, disse ao público presente, entre o qual se encontrava a realizadora de “Selma”, Ava DuVernay, a responsável da produção do Sundance, Laura Michalchyshyn, e a criadora da série “Transparent”, Jill Soloway.
Lily Tomlin destacou ainda como muitas vezes as mulheres são mais depressa avaliadas pela sua aparência do que pelo seu talento. Para a actriz, foi preciso aplicar-se mais, tornar-se “utilizável” para ter alguma coisa mais a dar do que a concorrência. “Temos de nos tornar boas em alguma coisa”, argumentou a actriz.
“Temos de lutar para conseguir que as mulheres tenham posições de poder e lembrar-nos de que não há regras estabelecidas”, disse Fonda, recordando que “Kathryn Bigelow fez um filme de homens, ‘Estado de Guerra’, enquanto o seu ex-marido James Cameron fez um para as mulheres, ‘Avatar’”.
Ainda no início deste ano, um novo estudo sobre o tema foi publicado e mostrava que só sete por cento dos filmes mais rentáveis nos EUA foram realizados por mulher.

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