Rebita e gospel entram na Trienal

Francisco Pedro |
27 de Fevereiro, 2016

Fotografia: Jaimagens

Além dos concertos permanentes de Música Popular Angolana, que levam hoje, às 21 h00, o cantor e compositor Wiza ao palco do Palácio de Ferro, a programação da III Trienal de Luanda tem desde ontem novos atractivos, com a introdução de espectáculos de rebita às sextas-feiras e concerto de gospel aos domingos.

O concerto de Wiza vem na sequência da marcante actuação dos “Kiezos”, que na semana passada fez levantar o público para dançar, ao interpretar o tema “Princesa Rita” bem perto do fim. As pessoas, entre nacionais e estrangeiros, levantaram dos assentos e em fila dançaram em rodopios ao som da canção de autoria do falecido Adolfo Coelho.
Wiza interpreta preferencialmente em quicongo, sua língua materna, e elege o estilo kilapanga, variando com o afrobeat e o funk. Em entrevista ao Programa “Diálogos Culturais”, da III Trienal de Luanda, o músico defendeu a formação académica como instrumento deveras importante na arte, porque dá luzes ao artista, mas que este não deve ficar preso aos ensinamentos da escola, para evitar limites de criatividade.
“Estudei guitarra e canto, com angolanos e brasileiros, mas prefiro não depender muito da formação para compor, porque as minhas criações têm como base a minha infância na minha aldeia”. Embora viva em Luanda, nos momentos de criação são as imagens da aldeia e toda a envolvência que dão forças a Wiza para criar letras e melodias. Para o músico, toda a música é comercial e tudo carece de tempo para que o público consumidor se acostumeà obra como algo semelhante às produções de consumo imediato.

Rebita às sextas

O programa de rebita da Trienal, que decorre às sextas entre as 17h00 e as 19h00, teve ontem a presença do grupo “União Elite”, um dos grupos históricos de massemba, formado no tempo colonial no bairro Maculusso, em Luanda. Mas, a estreia do programa de massemba aconteceu na semana passada com o grupo “Novatos da Ilha”, cuja actuação teve a intervenção de cerca de 40 integrantes, entre dançarinos, instrumentistas e cantores.
Ainda na sexta-feira, após a intervenção da massemba, a III Trienal de Luanda ofereceu uma performance com o DJ Ruca Moreira, entre das 21h00 às 23h00. Amanhã, começam os concertos de música gospel com o grupo “Coral Israel”.  Além do Palácio de Ferro, a programação estendeu-se esta semana ao Zango, município de Viana, onde o Centro Cultural de Viana albergou, na quinta-feira, a exibição da peça “Laços de Sangue”, com os actores Raul de Rosário e Meirinho Mendes, alternativa ao veto imposto pela Casa de Cultura Brasil-Angola (CCBA), subordinada à Embaixada do Brasil, em Luanda.
A peça, uma co-produção da III Trienal de Luanda, Elinga Teatro e Núcleo Experimental de Teatro, foi escrita pelo dramaturgo sul-africano Athol Fugard, traduzida e adaptada por José Mena Abrantes e teve a encenação de Rogério de Carvalho, também responsável pela direcção.

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