Cultura

Receitas do show de Nanuto revertidas para pessoas carentes

Roque Silva |

Nanutu realiza, no sábado, na União dos Escritores Angolanos (UEA), em Luanda, um concerto para aquisição de verbas que vão permitir produção de um disco cujas vendas servirão para os diferentes centros de acolhimento de crianças nas 18 províncias do país.

 

Instrumentista com mais de 40 anos de carreira actua sábado na União dos Escritores Angolanos
Fotografia: Kindala Manuel | Edições Novembro

Ao concretizar o projecto, Nanuto vai gravar o seu quinto CD. Com o dinheiro que ele arrecadar das vendas do próximo disco, "é minha intenção proporcionar melhor abrigo, estudos, saúde e ocupação profissional para as crianças desfavorecidas, além do bem-estar mental e emocional".
Com mais de 40 anos de carreira, Nanutu convidou Eduardo Paim, Yuri da Cunha, Ary, Ivan Alekxei, Agre G e The Groove e Os Tuneza, para o concerto, que conta com o suporte instrumental da Banda Maravilha. Também vão participar os DJ João Reis, Darcy, Silivy e Bruno Silva, para intercalarem a actuação dos cantores.
Nanutu pretende reviver o conceito de Centro Recreativo, vivido intensamente na década de 1980,  com música ao vivo.
Em declarações ao Jornal de Angola, o saxofonista disse estar a preparar um convívio inclusivo, do género "roda de semba", onde os cantores ficam mais próximos do público para permitir que haja maior inteiração entre ambos, onde podem "conversar e fazer perguntas”.
Na sua opinião, o actual conceito de espectáculo aniquila a forma tradicional de viver a música angolana, cria barreiras entre os cantores e os apreciadores dos seus trabalhos. “Temos de passar a interagir muito mais com o público, que dispensa o seu tempo para nos ver, pois é ele quem ajuíza o nosso trabalho.”
Sendo um dos pioneiros da internacionalização da música instrumental angolana, Nanutu é executante de saxofone, guitarra, piano, bateria e percussão. Realizou espectáculos regulares na Europa e no Médio Oriente. A sua carreira começou aos oito anos, fruto da passagem pela igreja católica, antes de ingressar ao conjunto que juntava nomes como Carlitos vieira Dias, Joãozinho Morgado, Vate Costa, Zeca Tirilene, Zé Queno, Gregório Mulato, Nando Nunes e Tony Almeida, estes dois últimos antigos membros da Orquestra Nacional da Música de Angola, do tempo colonial.
Acompanhou Elias Dya Kimuezu, David Zé, Artur Nunes, Urbano de Castro, Belita Palma, André Mingas, Lourdes Van-Dúnem, Carlos Burity e Lamartine, o que lhe permitiu criar condições para absorver conhecimentos e perceber como seria uma carreira a solo, em  1982.
Lançou os discos “Kizofado”, em 1995, “Luandei”, 2000, “Biza”, 2005, e “Ximbika”, 2012.

  Histórico do saxofonista


O álbum “Ximbica” atingiu, em 2010, o top da música africana em França, nomeadamente na Rádio África 1 e na Rádio France Internacional, ao lado de grandes nomes da música do continente berço.
O saxofonista gravou, na sala do cinema Tivoli, em Lisboa, um DVD ao vivo, durante um espectáculo de aproximadamente duas horas que teve a participação de Paulo Flores, dos guitarristas nacionais Teddy Sing, Botto Trindade e Betinho Feijó, os percussionistas Dalú Roger e Joãozinho Morgado e vários músicos africanos residentes em França.
O DVD, com  direcção artística do antilhano Thierry Fanfan contém 15 temas, de imagens captadas naquele espaço da capital portuguesa e de um outro concerto realizado numa das casas de espectáculos de Luanda, em Novembro de 2009, além de entrevistas de vários artistas com quem trabalhou pelo mundo, entre os quais Luís Represas, Compai Segundo, Tito Paris e Ildo Lobo.

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