Cultura

Reconhecido o valor do livro na construção da nova Angola

Manuel Albano

O secretário de Estado da Cultura, João Constantino, reconheceu, segunda-feira, em Luanda, a importância estratégica do livro, da promoção da leitura, da produção discográfica e do alargamento da rede bibliotecária pública, no processo de construção da “Nova Angola”.

Feira Internacional do Livro e do Disco da editora Arte Viva decorre até domingo no Palácio de Ferro sede da Trienal de Luanda da Fundação Sindika Dokolo
Fotografia: Maria Augusta | Edições Novembro

No discurso de abertura da 11.ª  edição da Feira Internacional do Livro e do Disco, que decorre até domingo, no pátio do Palácio de Ferro, em Luanda, João Constantino referiu que com o alcançar da paz é importante continuar a promover a leitura de forma estrutural, para que o conhecimento científico e literário se alargue a toda população.
O governante garantiu que desta forma vai possibilitar o acesso e a redução dos custos do livro, uma preocupação do Executivo que tem apoiado iniciativas do género, através do Ministério da Cultura, contribuindo desta maneira para que a democratização do saber e a  socialização do conhecimento sejam dos factores que propiciem o acesso ao emprego diminuindo as assimetrias sociais.
É dentro desse espírito, de acordo com João Constantino, que o quinto Conselho Consultivo Alargado do Ministério da Cultura, realizado recentemente, realçou a necessidade da promoção do livro e leitura, tendo em atenção as recomendações do Plano Nacional de Desenvolvimento para o sector cultural.
Apesar dos avanços das novas tecnologias, o secretário de Estado da Cultura disse que o livro continua a ser a melhor ferramenta de trabalho de acesso a cultura e companheiro ideal em todo os momentos. “O Ministério da Cultura pretende incentivar os editores, agentes culturais, produtores discográficos e livreiros públicos e privados e alfarrabistas a desenvolver e alargar as suas acções em todo o país, numa agenda de trabalho solidária e definida por objectivos”.
De acordo com a programação Feira Internacional do Livro e do Disco para o dia de hoje está agendado para as 16h00, uma palestra subordinada ao tema “O inconsciente nacional na narrativa ficcional angolana - um olhar propedêutico” , tendo como prelector o docente universitário de Introdução aos Estudos Literários, Joaquim Martinho, e como moderador o professor de Literatura Angolana na Universidade Metodista, Carlos Cabombo.
No seguimento das actividades, às 18h00, está programado a exibição do documentário “Valeu”, do realizador Asdrúbal Rebelo. O documentário tem 48 minutos e faz uma retrospectiva de crianças guerrilheiras, hoje adultas, que dão testemunhos sobre a participação na luta de libertação nacional, a convivência nos lares de Luanda e as diferentes fases políticas, militares e sociais  que o país atravessou até à ascensão da Paz.
Com depoimentos dos protagonistas e dos seus familiares, “Valeu” é sequência do filme “A Luta Continua”, produzido em película no período áureo do cinema angolano, em 1976.
No encerramento do dia, está agendado a realização de um concerto a partir das 19h00, com a actuação da cantora Sandra Cordeiro, que vai levar o seu afro-jazz ao palco Ngola, interpretando temas como “Esquecer”, “Tempo”, “Vou viver”, “Um beijo teu”, “Jiminina”, “Hoje”, “Talvez um dia”, “Não dá mais voltar” e “Luandense”, do seu repertório.
Sandra Cordeiro deve apresentar-se com Isaac Macondozo (teclado), Hugo Macedo (teclado), Mauro Pereira “Max” (guitarra solo), Randie Gouveia (guitarra baixo), Apolinário Carlos (bateria), Dalú Roger (percussão), Sara Dem e Ernestina Benjamim (coros), que vão executar as músicas dos dois trabalhos editados, nomeadamente “Tata Nzambi” (2008) e “Luandense” (2012).

  Organização da iniciativa espera milhares de visitantes


As actividades
da 11.ª edição da Feira Internacional do Livro e do Disco, numa iniciativa da editora Arte Viva, em co-realização com a III Trienal de Luanda, apresenta um novo cenário e espaço para expositores e leitores no pátio do Palácio de Ferro na baixa da cidade, onde os organizadores esperam a participação de mais mil visitantes por dia.
Apesar da mudança do local, o que pode concorrer para uma redução dos visitantes no decorrer do evento, o responsável da Arte Viva Jomo Fortunato está optimista no sucesso de mais uma edição da feira pela capacidade organizativa dos expositores e a qualidade dos produtos expostos.
Este ano, a III Trienal de Luanda, projecto da Fundação Sindika Dokolo, acolhe pela primeira vez a Feira Internacional do Livro e do Disco, certame que está a cargo da editora Arte Viva, edições e eventos culturais, que tem tido o apoio de instituições públicas e empresas privadas, interessadas na concretização da Feira Internacional do Lvro e do Disco. Após a cerimónia oficial de abertura que aconteceu segunda-feira, às 17h00, com o discurso do secretário de Estado da Cultura João Constantino, em representação da ministra da Cultura, Carolina Cerqueira, o evento foi preenchido com um ciclo de cinema na qual foi exibido o filme “O Herói”, do realizador Zezé Gamboa, encerrando o dia com o concerto intimista do músico e investigador cultural Ndaka yo Wiñi.
Ontem, as atracção do programa foi a dissertação dos jornalistas e poetas Pombal Maria e Bendinho Freitas do tema “Uma Leitura do Livro Doutrina” do poeta Lopito Feijóo, no espaço “Sindika Dokolo”, e a exibição do  documentário “O Herói”, na sala Soso. O dia terminou com o concerto do músico Hélder Mendes.
A iniciativa, que decorre até domingo sob o signo “Criar novos factos culturais”, congrega num só espaço literatura, música, cinema e debates à volta das questões relacionadas com a produção do livro, do disco e das artes do espectáculo, o que proporciona interacção cultural com os apreciadores das artes.

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