Reconhecimento da nova geração de percussionistas


17 de Abril, 2017

Enio Martins, “Bucho”, percussionista da nova geração, diz ter recebido das mãos de Joãozinho Morgado as primeiras congas tradicionais, no início do seu contacto com o instrumento.

Enio Martins começou em 2005, no coral da Igreja do São Paulo, e o seu pai, Ilídio Brás, apaixonado por música promotor cultural, detectou muito cedo a propensão do filho para a música e ofereceu, desta vez, as primeiras congas profissionais, aproximando-o a Raúl Tolingas, outra referência da percussão angolana. Enio Martins, “Bucho” falou da herança que recebeu e da personalidade artística de Joãozinho Morgado, nos seguintes temos:  “Falar de Joãozinho Morgado, na minha perspectiva, é muito mais do que falar de uma pessoa admirada. Digo isso porque toda a minha trajectória até agora começou, desenrolou e vai seguindo, não digo os trilhos, porque cada um faz os seus, mas com um foco, principalmente, naquilo que é o Joãozinho Morgado e do contributo ele deu. Porque de certa forma o que nós bebemos hoje é tudo fruto vivo, ainda, daquilo que ele é para nós agora e digo nós, percussionistas, porque ainda temos este contacto directo com ele. Infelizmente outros não puderam ter, mas enquanto tivermos ele connosco, e espero que dure por muito tempo, teremos todos os dias exemplos e coisas novas, em termos de percussão, experiência de trabalho e de vida no ramo musical.
 A Trienal que nos brindou com este convite, já agora agradeço, colocou-nos também numa fonte de muita sabedoria, de muita experiência em relação à música angolana, não só em termos de semba mas de outros ritmos. O que me admira não é a concepção da música em si, a prática, ou seja a forma como ele faz, mas a simplicidade dele como pessoa. Joãozinho Morgado é uma pessoa muito acessível e transparente. Aprendi com ele que quando pudermos inovar melhor, não inventar, porque se inventamos perde a graça. Há padrões que temos que seguir. Muito poderia falar mais sobre ele, mas a dimensão artística de Joãozinho Morgado, não cabe aqui”.

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