Rede de bibliotecas alargada ao interior

Víctor Mayala e Fernando Neto| Mbanza Congo
9 de Janeiro, 2015

Fotografia: Garcia Mayatoko| Mbanza Congo

Formação no domínio das artes e criação de redes nacionais de museus, bibliotecas, centros e casas da cultura são alguns dos principais objectivos do Ministério da Cultura para este ano, anunciou ontem, em Mbanza Congo, a titular da pasta.

Rosa Cruz e Silva, que fez o anúncio no acto central do Dia da Cultura Nacional, realizado, disse que as línguas africanas de Angola, o património cultural, a História de Angola e as suas figuras, assim como o fenómeno religioso, merecem este ano uma atenção especial.
“O Ministério da Cultura procura dar uma atenção particular à questão dos Programas Municipais de Cultura e das respectivas infra-estruturas culturais, desafio que propomos em 2015 à sociedade angolana em geral”, declarou.
Os municípios, prosseguiu, podem ser vistos como “células-base” da organização administrativa, para os criadores e as instituições culturais mobilizarem sinergias necessárias para em conjunto encontrarem respostas adequadas aos problemas que se colocam à sociedade.
A ministra pediu para, dentro da actual “Política Cultural Angolana”, se faça face aos desafios deste tempo, particularmente àqueles que se prendem com os valores matriciais da angolanidade, da identidade cultural, na sua diversidade ou aos valores morais e cívicos. “São princípios que estando vivos tornam-se normas preciosas à construção de uma sociedade melhor assente na justiça e capaz de se pautar pelo respeito a todos, onde não são descartados os mais velhos e o efeito da globalização, muitas vezes adoptado, não tenha tanto impacto”, afirmou a responsável.
O Plano Nacional de leitura, a expansão do livro, a promoção da investigação científica, o tratamento dos arquivos, o cinema e as indústrias culturais, disse, são também prioridades a ter em conta neste processo.
“Estamos convencidos de que o programa proposto pelo Executivo é efectivamente a forma mais eficiente de dar resposta a muitos dos problemas que vivemos”, frisou Rosa Cruz e Silva.
A ministra destacou o facto de a efeméride este ano coincidir com a etapa crucial do projecto “Mbanza Congo - Cidade a Desenterrar para Preservar”, criado para inscrever a antiga capital do Reino do Congo no património mundial da Humanidade.  O facto do nome da cidade voltar a ecoar pelo mundo, referiu, faz, realçar a História de Angola. Desde o período do cristianismo e da sua expansão, lembrou, a cidade testemunhou a construção de 12 igrejas, o que lhe valeu o título de Congo dya Ngunga.
“Reasultado da candidatura de Mbanza Congo a património cultural da humanidade, ficamos hoje a saber mais deste reino, através das fontes escritas, orais e iconográficas, como o Kulumbimbi, a primeira catedral erguida ao sul do Sahara e em torno da qual nasceram várias lendas.”
A ministra sublinhou que “a árvore sagrada Yala Nkwo”, situada ao lado do museu dos Reis do Congo, é outra das “riquezas culturais” deixadas como um símbolo da pe da concórdia.

O Reino

Mbanza Congo, insistiu, é uma cidade de história e de memória que enche de orgulho os angolanos, que “agora são chamados a preservar, valorizar e a transmitir os valores e símbolos às novas gerações e ao mundo”.
A festa da Cultura este ano, acrescentou, reitera, enquanto espaço de reflexão, a importância da valorização do vasto património cultural e da regulamentação dos órgãos ligados ao sector. “No presente ano, estamos todos mobilizados, para lá das próprias agendas atinentes às áreas específicas”, disse.

Reconhecimento


O governador do Zaire, Joanes André, considerou a escolha de Mbanza Congo para o acto central da data um sinal evidente de reconhecimento do seu valor excepcional histórico e da contribuição da cultura congo no processo de formação da identidade nacional.
“Realizar o acto em Mbanza Congo é mais um passo decisivo na valorização do património histórico do país”, disse o governador, para quem a efeméride proporciona visibilidade ao Zaire, além de ser “soberana oportunidade de mostrar os costumes, tradições e rituais da província”.

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