Cultura

Reeditada obra de Uanhenga Xitu

Mário Cohen

A intenção de editar uma versão crítica da obra “Manana”, de Uanhenga Xitu, segundo Washington Nascimento, esteve assente na necessidade de "reintroduzir" o seu autor no Brasil, como aconteceu com o lançamento do seu outro livro, “Mestre Tamoda”, nos anos '80.

Fotografia: Vigas da Purificação| Edições Novembro

“O Felito, como personagem dúbio e malandro, é uma figura que também é um pouco brasileira. E então achamos que a obra 'Manana' tem grande abertura na República Federal do Brasil”, disse o investigador.
Além disso, contou, “Manana” traz elementos da história de Angola e, sobretudo, da geografia de Luanda, “que serviram como uma forma de mostrar no Brasil um pouco sobre essas duas dimensões”.
Washington Nascimento revelou que Uanhenga Xitu tem muitos leitores em diversos estados do Brasil, por isso, em “Manana - Versão Crítica”, alistou grande parte da produção que foi feita sobre Mendes de Carvalho nos últimos anos, sobretudo no Brasil.
Para ele, os leitores que desejam conhecer a grandeza literária do autor de “Mestre Tamoda”, a edição de “Manana -Versão Crítica” já “mostra este feito, não só para os brasileiros, também para os angolanos que não sabem que Uanhenga Xitu é pesquisado e querido pela sua escrita. Todos devem ler o livro para saber do legado deixado por Mendes de Carvalho”.
Além do livro estar nas livrarias de Luanda, vai ser também distribuído pelas redes de bibliotecas dos vários estados do Brasil.
A ideia inicial, disse o estudioso brasileiro, “era fazer um prefácio simples, só que acontece que a referida obra já foi lançada em Angola e em Portugal. O que a gente imaginou foi: temos de explicar para o público brasileiro quem é Uanhenga Xitu e o que se pode aprender sobre a história de Luanda lendo 'Manana'”.

Ilustrações

O livro “Manana - Versão Crítica”, tem estampadas imagens de Uanhenga Xitu, cedidas pela Fundação homónima, que cobrem grande parte da trajectória de vida do escritor e nacionalista. Washington Nascimento fez uma listagem de quase tudo o que já foi publicado sobre o autor de “Kahitu”, com o objectivo de incentivar novos pesquisadores e para mostrar a importância do “Tio Mendes” não só no Brasil e em Angola, como noutras partes do mundo.
Segundo o próprio Washington Nascimento, escrever sobre o autor de “Os Discursos do Mestre Tamoda” “não foi difícil”, pois já estuda as suas obras desde o tempo em que preparava o doutoramento. “É um processo que já vai há quase 10 anos e que se tornou mais facilitado com a ajuda da Fundação Uanhenga Xitu”.
Desta parceria, disse, surgiu a ideia de reeditar as obras de Mendes de Carvalho, assim como de “colocar autores novos” no Brasil.
O poeta Lopito Feijó, no seu testemunho, contou que bebeu muito da experiência de Uanhenga Xitu. “Ele foi uma pessoa atenta a tudo, e, sempre que acontecesse alguma coisa, era sempre o primeiro a chegar para testemunhar o acontecimento, além de anotar tudo o que via e ouvia”.
Revelou ainda que Uanhenga Xitu não se considerava escritor porque dizia que não nasceu para o ser. “Ele percebia de tudo. E da forma como fundamentava cada assunto, mostrava que era muito inteligente”.
Washington Santos é doutor em História Social pela Universidade de São Paulo (2013) e mestre em Ciências Sociais - Antropologia, pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (2008). É licenciado em História pela Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (2003). É membro da coordenação executiva da Associação Brasileira de Estudos Africanos.

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