Referência da nova geração de intérpretes

Jomo Fortunato |
8 de Fevereiro, 2016

Fotografia: Francisco Pedro |

Vivamente aclamado pela crítica musical mais exigente, pela prestação vocal e interesse na estilização do cancioneiro tradicional angolano, Gari Sinedima é um dos mais notáveis cantores da sua geração.

Pretende, de entre outros projectos, gravar um disco que seja uma referência na história da renovação estética da Música Popular Angolana.
Embora reconheça sem reservas, a influência do cantor e compositor, André Mingas, a nível do canto, Gari Sinedima afirmou que a sua tendência para a música decorreu do seu talento natural e gosto pessoal. No entanto, o jovem cantor apontou a Igreja Congregacional, como uma das suas grandes escolas: “Diria afirmativamente que a minha tendência para a música decorre do meu talento natural, que, de forma conjugada, coexiste com meu gosto pela música. Sinto-me bem a cantar, e a música é uma forma de expressão artística na qual pretendo investir. No entanto, quero deixar bem claro que embora não tenha tido um familiar próximo que me influenciou a entrar para o universo da música, o coro da Igreja Congregacional em Angola, na qual pertenço, teve um papel importante na minha formação como cantor”.
Filho de Jerónimo Sinedima, natural do Kuanhama, Província do Cunene, e de Teresa Tapalo, natural do Huambo, Garibaldino Jerónimo Sinedima, Gari Sinedima, nasceu no Namibe, no dia 13 de Março de 1993. Embora tenha tido no início uma afeição pela dança, Gari Sinedima veio a revelar o seu talento na músicareligiosa, aos cinco anos de idade, no coral da Igreja Evangélica Congregacional Angolana, e tem-se notabilizado a interpretar clássicos da Música Popular Angolana, e temas referenciais do gospel, soul music e vertentes do jazz, em espaços intimistas.
Pela excelência da sua prestação vocal, Gari Sinedima foi convidado a participar no concerto de homenagem ao falecido cantor André Mingas, nos dias2 e 3 de Outubro de 2015, no âmbito do Projecto  Show do Mês, do promotor cultural, Yuri Simão, realizado no Hotel Royal Plaza, Talatona, em Luanda.
No concerto, denominado, “Cantar André Mingas”, participaram: Gabriel Tchiema, Kizua Gourgel, Konde Martins e Jéssica Santos. Actualmente o jovem cantor faz parte do “Kamutupu Project”,  de “House music”, e tem tido presença em vários projectos nacionais e internacionais, incluindo o “Luanda Jazz Festival, em 2013.

Tradição


Gari Sinedima defende que a música angolana tem que prestar atenção às suas origens: “Pretendo sim estilizar a música tradicional da minha região, porque na verdade é lá onde reside a minha identidade cultural e artística. Temos um vasto e lindo cancioneiro que precisa de ser dado a conhecer ao mundo. A nossa potencialidade artística ainda não é conhecida, cabe a nós jovens investigar e propor novas abordagens, ao nível da concepção estética. Nós vamos conseguir, disso eu tenho a certeza”.

Influências

Gari Sinedima ouve sempre que pode os grandes nomes da soul e da pop music: Adele, Amy Winehouse, Aretha Franklin, Michael Jackson, Joss Stone, Seal, Stevie Wonder, uma infinidade de nomes que passam pelos grandes paradigmas do jazz, gospel, funk, e novas revelações da música africana, e da World Music, tais como Richard Bona e Lokua Kanza. Sobre as influências na música angolana revelou: “Costumo dizer que me encontrei, musicalmente, quando ouvi pela primeira vez o grande mestre, André Mingas… que a terra o seja leve. Entretanto, quero lembrar que não imito, de forma nua e crua o André Mingas, mas tenho a mesma onda, ou seja, a mesma levada como guia. É claro que neste processo o Filipe Mukenga não está de fora. Julgo que a música que faço acaba por ser um contributo, embora modesto, para a continuidade do processo de renovação estética da Música Popular Angolana, com grandes influências do Jazz e outros géneros internacionais. No entanto mantenho uma relação de cumplicidade estética com os cantores angolanos da nova geração: Toty, Sandra Cordeiro, Gabriel Tchiema, Emanuel Kanda, Kizua Gourgel, Ndaka Yo Wiñi e Simmons Manssine. Quem não está nesta lista, está de igual modo no meu coração”.

Concerto

No concerto realizado sábado, 6 de Fevereiro último,  no âmbito da III Trienal de Luanda, Gari Sinedima revelou ser um cantor distinto, preocupado com estética da sua obra.No Palco do Palácio de Ferro, Gari Sinedima, voz ,interpretou as seguintes canções: “Makézu”, versão de Ruy Mingas, “Litshotsho”, oração do pai nosso, numa versão medley de um canto popular sul-africano, “Partiu”, letra de Gabriel Damião e música de Gari Sinedima, “Meninos do Huambo”, de Manuel Rui e Ruy Mingas, “Parei”, letra e música de Gari Sinedima, “African Names”, letra e música de Gari Sinedima. Interpretou também “Meu amor”, de Lokua Kanza, “Jisabu”, André Mungas, “Falar de mim”, letra e música de Gari Sinedima, 360º, cantora nigeriana,  Asha,  “Teresa Ana”, Waldemar Bastos, e “Piluka”, Gari Sinedima e DJ Jef. 
No concerto Gari Sinedima foi acompanhado pelos instrumentistas  Mário Garnacho, teclas, Eudísio Vainer, guitarra solo, Félix Yasel, guitarra baixo, e Ediene Costa, na bateria.

Participações

Gari Sinedima participou no programa radiofónico, realizado no CEFOJOR,  Centro de Formação de Jornalistas, em Luanda, para assinalar o Dia Internacional do Jazz, 30 de Abril, data instituída pela Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura, numa  iniciativa da Rádio FM Stereo e da promotora de jazz e seus géneros de fusões, Miezi, que convidaram, para o acto, os músicos Wyza, Gari Sinedima, Zé Mueleputo e Ndaka Yo Wiñi, acompanhados pela Banda Smooth Wave.  O cantor participou ainda em Setembro de 2015, na décima oitava edição do Festival da Canção da LAC, Luanda Antena Comercial, edição comemorativa dos quarenta anos da independência nacional. Em Novembro de 2012, Gari Sinedima foi um dos convidados da Fundação Arte e Cultura para homenagear os artistas angolanos já falecidos, pelo seu contributo em prol do desenvolvimento da cultura, num concerto que decorreu no Centro Cultural e Académico “Raúl David”, no âmbito do projecto, “Casa da Música”, da referida fundação. O certame contou com a participação da Tonicha Miranda. Foram homenageados os cantores David Zé, Artur Nunes, Lourdes Van-Dúnem, Luís Visconde, Liceu Vieira Dias, Urbano de Castro, Teta Lando, Fernando Santos, e André Mingas. Gari Sinedima já dividiu o palco com a Selda, Banda Café Negro e o DJ Djeff, coautor do tema “Piluca”.

Compositor


Embora já tenha as suas próprias composições, Gari Sinedima não se considera um compositor. Sobre o assunto o cantor o seguinte: “Embora não me considere um compositor na verdadeira acepção da palavra, porque ainda não domino as noções básicas de composição textual, métrica e construção poética, a maior parte das canções que interpreto são da minha autoria. No entanto, a crítica mais exigente tem aplaudido aquilo que faço, o que me dá força para continuar”.

Trienal
 
A programação de concertos da III Trienal de Luanda pretende enaltecer a qualidade artística dos cantores, compositores e instrumentistas angolanos, valorizando um segmento musical reflexivo e experimental, que, normalmente, está distante do grande sucesso comercial da música de consumo imediato.
Neste sentido, já desfilaram no palco do Palácio de Ferro: a Banda “Afra Sound Star”, o cantor compositor e guitarrista, Carlitos Vieira Dias, acompanhado por Nanutu, saxofone soprano, Dalú Roger, percussão, a Banda Next, formação jovem que funde canções referenciais da Música Popular Angolana, segmentos de rock, e referências da soul music norte americana, a cantora Anabela Aya, uma das vozes mais promissoras do universo afro-jazz angolano, Duo Canhoto, formação que representa, na actualidade, a vanguarda mais prestigiada da trova angolana, e da musicalidade endógena da cultura angolana, e Ndaka Yo Wiñi, cantor e compositor que valoriza a tradição pela estética da modernidade. 

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