Cultura

Rei Mandume foi tema de palestra em Luanda

Amilda Tibéria

O historiador Tiago Caungo considerou, ontem, em Luanda, complexa a figura de Mandume e que a imagem dele que se venera no país “não é a real”.

Historiador afirma que a imagem que se venera no país do Rei Mandume não é a real
Fotografia: DR

Não era aquela figura de grande porte físico, como é apresentado. De acordo com o historiador, que foi orador numa palestra organizada  pelo Ministério da Cultura, Mandume foi uma figura controversa que pouco conhecemos.
O material existente no Arquivo Nacional de Angola, apesar de não ser numeroso, permitiu-lhe pesquisar para realizar a palestra sobre uma figura tida como um dos últimos opositores à ocupação colonial no Sul do país.
Mandume, segundo o palestrante, teve fortes laços com outros soberanos angolanos, de modo a obter ajuda e resistir contra os invasores europeus (portugueses, alemães e ingleses), e herdou o poder do tio Nhade, tornando-se num “ohamba” (o primeiro poder soberano nas aldeias).
“Ele fundou a liga Ovambo para expulsar os . Embora tivesse perdido a batalha,  deixou várias lições de patriotismo para as tropas. Quando foi convidado para ter uma vida de conforto, em Windhoek, rejeitou, preferindo lutar pela independência, um dos factos de admiração tanto em Angola, quanto na Namíbia”.
Tiago Caungo referiu que o herói dos cuanhamas teve a possibilidade de optar por uma “morte mais sublime ao suicidar-se, quando descobriu que seria derrotado”.
O moderador da palestra, João da Cunha, disse que o 6 de Fevereiro é uma data que não deve passar sem ser relembrada e que este ano serviu para assinalar o aniversário da morte de Mandume ya Ndemufayo, o último soberano dos cuanhamas, insigne figura histórica de Angola.
O moderador frisou que a História de Angola está repleta de inúmeras personagens que se notabilizaram pelos   feitos durante a luta de resistência contra a ocupação portuguesa e que são mencionados de forma pouco honrosa pela historiografia  e que “uma dessas personagens é Mandume ya Ndemufayo”.
Mandume sucedeu a Nande Hedimbi, em 1911, tendo reinado até 1917, a data da sua morte.

Tempo

Multimédia