Relíquias à venda na Internet


15 de Março, 2015

Fotografia: AFP

Peças arqueológicas saqueadas pelo grupo rebelde Estado Islâmico (EI) na Síria e no Iraque surgiram à venda em páginas da Internet de compra e venda como “eBay”, revelou ontem o jornal britânico “The Times”.

Os extremistas vendem peças de cerâmica, moedas e joalharia para financiar as suas actividades, num momento em que aumenta a pressão militar por parte do Exército iraquiano, que é apoiado pelos bombardeamentos da coligação internacional liderada pelos Estados Unidos.
O director da Unesco no Iraque, Alex Plathe, afirmou ao jornal britânico que o Estado Islâmico comete um “saque sistemático” de sítios arqueológicos com o objectivo de “gerar lucro”. Os especialistas suspeitam que os rebeldes saqueiem estes locais por encomenda de coleccionadores, e mais tarde vendem as peças roubadas.
“É possível comprar pela Internet moedas antigas cunhadas na Síria”, disse o especialista Erin Thomson, para quem é “difícil determinar se um objecto foi saqueado recentemente ou vem de uma fonte legítima”.
“Mesmo assim, quando se encontra objectos procedentes de Apamea à venda em eBay, é um sinal de que algo está a ocorrer”, disse Thomson. Um porta-voz do portal da Internet afirmou que a companhia “retira objectos de venda” a pedido das autoridades, “apoia as investigações da polícia e está sempre preparada para investigar a procedência de peças que causam preocupação”.
Especialistas acreditam que os rebeldes utilizam rotas para a Jordânia, Líbano e Turquia para introduzir antigos tesouros da Síria e Iraque nos mercados de antiguidades internacionais.
Segundo a Unesco, cinco dos seis sítios arqueológicos protegidos na Síria ficaram seriamente danificados pelos saques. Na semana passada, foi divulgado que o Estado Islâmico saqueou e destruiu no Iraque o sítio arqueológico de Dur Sharrukin, capital Assíria no século VIII a.C.

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