Renascimento de uma era com surgimento do

Adriano de Melo |
19 de Agosto, 2016

Fotografia: Francisco Bernardo

Do preto e branco à beleza das cores, a fotografia passou a ser hoje uma ferramenta muito comum e parte activa do quotidiano da nova geração, graças ao avanço da tecnologia e da curiosidade destes em descobrir parte de si mesmo, num simples flash.

Porém, para muitos as fotos são um recurso artístico, para mostrar a contemporaneidade numa sociedade em transformação, enquanto outros fazem da imagem o seu ganha pão.
São estes artistas e os profissionais, que tornam cada momento ou mudança social numa marca registada para o futuro, um legado para que a nova geração conheça o renascer de uma era diferente.
Hoje, cada um destes criadores é reconhecido a nível mundial, uns pela beleza dos seus trabalhos, outros pelo profissionalismo retratado em cada um deles. Hoje, a própria sociedade reconhece o trabalho do fotógrafo, através de concursos, como o World Press Photo, ou o Sony World Photography, que distinguem os profissionais da imagem.
Apesar de ainda não ser aceite em muitos ciclos como uma forma de arte, a fotografia em Angola já marcou passos importantes neste sector e a tornaram, até mesmo, uma referência internacional, com um Leão de Ouro, na Bienal de Veneza, em 2013, dado como reconhecimento ao trabalho de explorar a multiplicidade de espaços, que Edson Chagas, apresentou ao público em “Luanda, Cidade Enciclopédica”.
Para o júri da Bienal de Veneza, o trabalho do artista angolano foi uma reflexão sobre como a imagem pode ajudar a dar forma à experiência da cidade em qualquer um. As fotos de “Luanda, Cidade Enciclopédica” são um exemplo da importância da imagem na reconstrução do pensamento moderno.

A era tecnológica


O advento das novas tecnologias trouxe alguns “perigos” reais ao mundo da fotografia, uma realidade que não é só visível em Angola, mas por todo o mundo. O facto que hoje os telefones podem tornar qualquer pessoa num “retratista” deu ao mundo uma nova “visão” da fotografia. O surgimento e expansão das redes sociais tornaram este advento ainda mais abrangente e elevaram a fotografia a outro nível, um tanto perigoso quanto benéfico, por incluir riscos desconhecidos por muitos dos seus usuários, que só admitem o “poder” de uma imagem depois de a verem mal utilizada. Porém, para os profissionais e os artistas, a nova era tecnológica representou um ganho, não só para a qualidade dos seus trabalhos, como também nas ferramentas e programas que os permitem dar os últimos “acabamentos” a estes. Em Angola, o sector cresceu e ganhou um potencial imenso nos dois sentidos: o dois profissionais e o dos amadores, que continuam a utilizar as máquinas ou telefones, sem conhecer a importância do respeito pela privacidade e os direitos de cada um e vêm em cada oportunidade ou situação do quotidiano, na maioria das vezes critica ou ruim, a oportunidade para poderem fazer um “flash”.

Os profissionais


Para saudar a efeméride, os profissionais do sector realizam hoje diversas actividades, dentre as quais encontros, para debater o estado do sector e apontar eventuais melhorias, e visitas a maternidades.
A Associação dos Fotógrafos de Angola tem programado visitas as maternidades, onde pretende ajudar a capturar e guardar para a eternidade um momento importante na vida de qualquer mulher: o nascimento de um filho. Para José Cola, fotógrafo do Jornal de Angola e presidente da associação, ainda é preciso ser realizado um trabalho mais árduo para o reconhecimento e respeito dos profissionais de fotografia no país.
Actualmente com dez mil membros, a nível nacional, a associação, que existe há cinco anos, tem procurado criar projectos concretos, que permitam a sociedade valorizar ainda mais os fotógrafos profissionais. O facto de hoje já a maioria destes conseguirem viver da sua profissão e o mercado estar mais amplo cria melhores oportunidades para a criação de programas favoráveis, como contractos específicos.
Embora a obtenção de material de qualidade seja um problema para alguns, José Cola acredita que a imposição do respeito por regras seja um passo importante para melhorar o sector, porque muitos dos que usam as câmaras não prezam certos princípios, como o respeito pelos outros. Apesar de considerar uma mais-valia o facto das pessoas terem interesse pela fotografia, o presidente da associação vê a formação como essencial. Além das visitas, o coordenador de fotografia do jornal “Mercado”, Valter Fernandes, realiza também, a partir de hoje, um ciclo de debates sobre a fotografia e o papel dos fotógrafos na sociedade. Os encontros, abertos ao público, são realizados no Memorial Dr. António Agostinho Neto, em Luanda.

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