Cultura

Requiem à escritora Gabriela Antunes

Osvaldo Gonçalves

Figura emblemática da literatura infantil em Angola, Gabriela Antunes faleceu a 3 de Abril de 2004, um dia depois de o mundo assinalar o Dia Internacional do Livro Infantil, data instituída em 1967, por iniciativa do Conselho Internacional da Literatura Infantil (IBBY), em função do aniversário do escritor dinamarquês Hans Christian Andersosn, nascido em 1805.

Professora Gabriela Antunes
Fotografia: DR

Nascida no Huambo, em 8 de Julho de 1937, Maria Gabriela Cardoso da Silva Antunes estudou em Lisboa,  onde se graduou em Filologia Germânica, em 1960, e fez pós-graduação em Pedagogia e Didáctica da Língua Inglesa. Pessoa engajada, trabalhou com Dario de Melo, Octaviano Correia, Rosalina Pombal, Cremilda de Lima e Maria Eugénia, no 1º de Dezembro, suplemento infantil do Jornal de Angola, no sentido de se desenvolver a literatura infantil no país.
Quadro da Secretaria de Estado e do Ministério da Cultura, desempenhou diversas funções de relevo e desenvolveu vários projectos nessa área, o que lhe  valeu a atribuição, em 1999, do prémio da Fundação Casa da Cultura de Língua Portuguesa.
Mas foi como professora que Gabriela Antunes mais se destacou. Durante um longo período, coordenou e leccionou o Curso Médio de Jornalismo no Instituto Karl Marx-Makarenko, que viria a dar lugar aos institutos médios de Economia (IMEL) e Industrial (IMIL) de Luanda.
Pelo empenho e dedicação demonstrados ao longo desses anos, Gabriela Antunes tem hoje o atributo de “Professora” como que fazendo parte do nome próprio e assim devia ser grafado numa qualquer inscrição de valor conhecido, pois o mérito, esse, é-lhe reconhecido. />A Professora Gaby, como amiúde se lhe ouve chamar, é muitas vezes referida pela forma disciplinadora como soube, ao longo de muitos anos, formar os seus alunos. Como se de um estatuto especial se tratasse, muitos são os que fazem vincar o facto de terem sido alunos de Gabriela Antunes.
Em Angola, o Dia Internacional do Livro Infantil não pode passar sem uma referência a essa mulher, que soube dar tudo de si pelos mais novos.
Gabriela Antunes não só escrevia para crianças, como sabia explicar aos adultos o verdadeiro sentido de cada obra, de cada história. A sua primeira obra dedicada a crianças teve o título “A Águia, a Rola, a Galinha e os 50 Lweis”.
O seu empenho no domínio das letras infantis resultou ainda em obras como “Kibala o rei Leão” (1983), “O Castigo do Dragão Glutão” (1983), “O Jardim do Quim”, conto incluído na colectânea “Lutchila e outras estórias” (1985),“O João e o Cão”, “Estórias Velhas Roupa Nova” (1988) e diversos contos infantis publicados em jornais. Posto isto, se dúvidas restarem sobre a razão desta espécie de requiem, somos vaidosos o suficiente para afirmar de boca cheia que também fomos alunos de Gabriela Antunes.

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