Cultura

Resgatar o passado nas estruturas históricas

Roque Silva |

“Património Vivo” é a denominação de um projecto virado a realização de actividades artísticas e culturais no interior dos edifícios e espaços públicos classificados Património Culturais.

Fortaleza de São Miguel é um dos monumentos históricos que vai albergar a iniciativa
Fotografia: Paulo Mulaza | Edições Novembro

O projecto foi apresentado ontem no Centro Cultural Brasil-Angola pelas mentoras, as arquitectas Suzana Matos e Ângela Mingas, em representação do Centro de Estudos e Investigação Científica de Arquitectura (CEICA) e da Campanha Reviver, respectivamente, dois programas de investigação, promoção e ensino do património arquitectónico e cultural através de pesquisas.
A ideia do projecto é contar a história da cidade através da sua arquitectura e espaços e resgatar o passado com a realização e promoção de actividades sobre o património material e imaterial, no interior dos mesmos edifícios históricos.
A primeira actividade e pontapé de saída do projecto “Património Vivo” acontece no dia 7 de Dezembro, nas instalações do Centro Cultural Brasil-Angola (CCBA), classificado Património Cultural pelo Ministério da Cultura.
Esse antigo edifício, anteriormente denominado “O Grande Hotel de Luanda”, edificado em 1910, vai albergar concertos de música, exposição de artes plásticas, fotografias e de gastronomia, dança e documentários que se identifiquem com as épocas que ajudaram a construir a história que a levou a tão almejada classificação.
Suzana Matos revelou que esta aberto o período de recolhas de informações sobre a história que envolve o actual edifício do CCBA, A arquitecta que responde pelo Centro de Estudos e Investigação Científica de Arquitectura (CEICA), afecto à Universidade Lusíada de Angola, disse que o conteúdo recolhido vai permitir uma exibição pormenorizada do passado do edifício e das pessoas de maior relevância que nele residiram.
A mentora do projecto deu a conhecer que a ideia é permitir que a sociedade viva o património, sendo que a melhor que o conhecer é vivenciar e transformar em algo acessível, tal como acontece actualmente com o CCBA que alberga diversificadas actividades, depois de ter passado por momentos de pura degradação até ser reestruturado. “Hoje é um ponto de encontro, acessível a todos”. />Suzana Matos referiu que a iniciativa é uma singela  mas significativa homenagem ao património nacional que está espalhado por todo o país e a sua historicidade ainda é muito desconhecida por grande maioria dos angolanos. “O pior é deixá-lo morrer”.
Por sua vez, a arquitecta Ângela Mingas informou que a organização tem muito material, recolhido de investigações feitas na Campanha Reviver, por professores, estudantes e pesquisadores nacionais, pelo que a curadoria tem por definir o plano de produção dos trabalhos a serem apresentados. O projecto “Património Vivo” tem periodicidade semestral numa primeira fase, trimestral noutra fase em longo prazo, sendo que se estende por outros espaços patrimoniais de Luanda, entre outros a Fortaleza de São Miguel, os Caminhos de Ferro de Luanda, a Rua dos Mercadores, o Museu Nacional de Antropologia, e mais tarde por todos o país.
“Propomo-nos desenvolver actividades dedicadas ao património cultural aliando a arquitectura a várias formas de expressão artística, com os objectivos da iniciativa prendem-se com a reflexão sobre a importância histórica do Património Cultural, divulgar e sensibilizar sobre o tema da preservação patrimonial, promover o turismo cultural, usufruir dos monumentos, como instrumentos da territorialização da cidade cultural criativa”, disse a arquitecta.
Segundo Ângela Mingas, que desenvolve trabalhos sobre patrimónios há quase 20 anos, o projecto vai transmitir a História de Angola aos estudantes, que é dos países que sofreu o maior êxodo forçado com a escravatura e muitos edifícios contam essa parte de Angola. “Pretendemos com o programa revitalizar culturalmente as cidades, devolver as pessoas as ruas, ensinar a história dos edifícios e contar a história de Angola de uma maneira diferente”.
O Centro de Estudos e Investigação Científica de Arquitectura incentiva, coordena e divulga actividades relacionadas com as artes, arquitectura, urbanismo e design e promove a pesquisa artística, arquitectónica, urbanística e de design, difundindo os resultados junto da comunidade.

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