Cultura

Ritmos do Sassa Tchokwe animam “Live no Kubico”

Analtino Santos

Ritmos de Malanje e das Lundas voltaram a cruzar-se na tarde de domingo, no “Live no Kubico”, uma parceria da Televisão Pública de Angola (TPA) e a Platinaline, ao juntar no mesmo palco os grupos SassaTchokwe Internacional, Os Ndengues do Kota Duro e o cantor Santos Católica.

Fotografia: José Cola | Edições Novembro

Foram quase três horas preenchidas com música tradicional feita no Império Lunda-Tchokwe e nos Reinos da Matamba e Ndongo. Gabriel Tchiema e Mito Gaspar já tinha representado estes grupos, numa anterior edição do “Live no Kubico”. Os Ndengues do Kota Duro, apostando nos géneros bukula, katulula, kaxaxatela e kandanda, foram os primeiros a subir ao palco e marcaram o regresso do grupo depois da morte do líder. Com o acompanhamento da Banda Movimento interpretaram os temas “Katutula” e “Mona Kataka”.

Sassa Tchokwe Internacional, liderado pelo carismático Rei da Costa, veio de seguida com o seu ritmo característico, a tchianda. Depois da apresentação dos integrantes do grupo, com “Mua Sanza” e “Plato da Lunda” deram início a sua participação. Durante o tempo de concerto as coreografias dos bailarinos proporcionaram um espectáculo à parte.

Santos Católica foi o último a apresentar-se, mas também em determinados momentos do evento fez o papel de mestre-de-cerimónias, cantou os temas “Lunguena” e “Nalukhisa” e para manter a alma da tchianda foi acompanhado pelo Sassa Tchokwe. Conhecido como um dos principais expoentes do estilo que domina o leste do país, Santos Católica recorreu a Banda Movimento para o suporte instrumental de um dos seus temas de início de carreira, “Tchambala”, uma produção de Chico Madne.

Ndengues do Kota Duro interpretaram “Uaxi Ua Kilo”, “Kimonha”, “Buluka”, “Meu Azar” e “Mana Zinha”.

O esperado reencontro das Gingas do Maculusso acontece este domingo, no “Live do Kubico”. O grupo há mais de uma década separado tinha agendado um concerto de reunificação cancelado devido ao Estado de Emergência e a presença neste Live é resultado da pressão pública.


Sabino Henda pesquisa novas sonoridades

A procura de novos desafios com vista a dar outra dinâmica à carreira artística tem feito do cantor Sabino Henda um homem persistente nas suas acções. A investigação sobre novas sonoridades rítmicas tem sido uma das opções para preencher parte do tempo devido à pandemia da Covid-19.

Em declarações ao Jornal de Angola, o autor do sucesso “Embrião”, tema vencedor do Top dos Mais Queridos, edição 2004, organizado pela Rádio Nacional de Angola (RNA), disse que este ano seria mais intenso e produtivo em termos musicais, mas por culpa do novo coronavírus tudo ficou complicado.

Para Sabino Henda, a realização de festivais regionais também seria uma solução, porém defende a importância da criação de uma indústria cultural forte e dinâmica, com políticas bem definidas na defesa da classe artística, em especial para os fazedores de músicas de raiz.

Na visão do músico, se o país não tiver empresários e uma Lei do Mecenato capaz de garantir a continuidade dos projectos dos artistas será muito difícil ultrapassar este dilema.

Sabino Henda, que tem em perspectiva colocar no mercado dois discos, sendo um baseado no folclore angolano e outro num estilo mais convencional, com canções que abordam o quotidiano, lamenta até agora não conseguir concretizar o desejo por falta de patrocinadores.

Afirma ser necessário apostar no resgate dos costumes que a sociedade angolana está a perder, razão pela qual tem desenvolvido, desde 2018, em Luanda, os projectos culturais “Roda do Semba” e “Encontro dos Cotas”.

Sabino Henda conquistou 18 prémios desde o início da carreira musical, em 1980, aos nove anos, no Bié. Tem no mercado discográfico os álbuns “Poeira Velha” e “De lá pra cá”. Entre os vários sucessos destacam-se os temas “Mulher”, “Reflexão”, “Embrião”, “Ser feliz”, “Erupção”, “Tá ler jornal”, “Carlito”, e “Tchissola”.

Socorro quer protecção para os temas de raiz

Socorro, cantor do estilo folclore, natural de Kimbele, Uíge, manifestou preocupação pelo facto de os apoios e incentivos aos músicos tradicionais serem cada vez mais escassos, razão que até hoje desconhece. “Temos público, um mercado que consome bastante as nossas canções, mas não compreendo como os patrocinadores não nos prestam o devido apoio”.

O cantor, que participou dia 19 deste mês no “Live no Kubico”, com Baló Januário e os Tunjila Tua Jokota, numa parceria entre a TPA e a Platinaline, acredita que se houvesse políticas que protegessem as músicas tradicionais e os seus criadores estariam a ajudar a criar um acervo bibliográfico para a preservação da história do folclore nacional. Quem sente igualmente a amargura e momentos difíceis com a falta de apoios e promessas não cumpridas são os integrantes do grupo folclore Tunjila Tua Jokota.

O grupo, que tem no repertório sucessos como “Amor”, “Sentem Respeito”, “Lili” e “Mana Mena”, este último de grande alcance nacional e internacional, também “chora” por incentivos.

Zango da Massa, compositor do grupo, espera que o Executivo olha também para essa franja da sociedade que muito tem contribuído para levar alegria às populações em localidades remotas, levando amor e carinho aos mais necessidades através da música. “Somos os parceiros do Estado que menos vê recompensado o sacrifício de levar alguma esperança às populações com temas que abordam a realidade sociocultural dos angolanos”, concluiu.

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