Ritmos africanos são tocados no Palácio de Ferro

Roque Silva |
18 de Junho, 2016

Fotografia: Mathieu Ahouandjinou |

A fanfarra Eyo´nlé Brass Band apresenta hoje, às 21h00, no Palácio de Ferro, em Luanda, ritmos tradicionais de alguns países do Golfo da Guiné, num concerto no âmbito da III Trienal de Luanda.

O conjunto viaja por uma mistura dos géneros Afro-Vaudou (Vodum) e blues, do Benin, HighLife, do Ghana, e Afro Beat, feitos por alguns emblemáticos artistas da Nigéria, Costa do Marfim, Togo, Camarões, Guiné Equatorial e do Gabão.
O conjunto apresenta ainda canções do CD “Empreintedu Père” (Marca do Pai), lançado em Abril de 2015, e temas franceses adaptados ao ritmo da música do Benim.
O concerto é realizado com base em instrumentos de sopro e de percussão cujos ritmos foram recuperados nos festivas beninenses e das fanfarras. O espectáculo tem a duração de hora e meia e é precedido de uma apresentação do pianista João de Oliveira.
Eyo’nlé Brass Band é das poucas fanfarras africanas que divulga internacionalmente os instrumentos de sopro oriundos dos países do Golfo da Guiné. A banda é formada por sete artistas residentes em França e no Benim, onde realizaram diversas digressões regulares com a banda “Les Ogres de Barback” e desenvolvem diversos projectos.
A banda realizou em 2015 o primeiro Festival de Fanfarra de Porto Novo, que reuniu mais de 42 orquestras da região. A banda surgiu nos anos 90, por influência dos hinos e polifonias religiosas e dos encontros regulares entre músicos beninenses e europeus em clubes e estúdios da cidade de Porto Novo.
O agrupamento já acompanhava os grandes nomes da música beninense, como o griô Yédenou Adjahoui. Entre outros álbuns tem editado “Dusonetdesracines”, em 2003, “África Night” (2011) e “20 ans!” (2014), com músicas gravadas numa digressão pelo continente europeu. Eyo’nlé Brass Band venceu a primeira edição da Taça do Mundo de Fanfarra, realizada em França em 2011.

Dipanda Forever no Porto


Depois da cidade de Niterói, no Brasil, em Abril, a internacionalização da III Trienal de Luanda segue para a cidade do Porto, em Portugal, com a actuação, hoje à noite, do músico Jorge Rosa, em Passos Manuel, num concerto intimista denominado “Dipanda Forever”.
Jorge Rosa, que vai fazer uma incursão ao repertório do emblemático Sofia Rosa e de Ilda Rosa, vai ser acompanhado por Betinho Feijó (guitarra ritmo), Djipson (guitarra solo), Palô (guitarra baixo), Anderson (acordeon e teclado), Hélio Cruz (bateria), Mestre Capitão (percussão) e Galiano Neto (congas).
O concerto faz parte do projecto Ressonância Magnética Cultural, da III Trienal de Luanda, com o objectivo de se promover a cultura angolana, em particular, e a africana, em geral.
Além de Jorge Rosa, que é um dos músicos residentes da Trienal de Luanda e que já participou na programação semanal de Música Popular Angolana, no Palácio de Ferro, “Dipanda Forever” vai levar ainda ao Porto os artistas Ndaka yo Wiñi, Os Kituxi, João Oliveira, a Banda Next e o Núcleo Experimental de Teatro (NET), com a peça “Laços de Sangue”.

Experiência partilhada

O músico Walter Ananás compartilhou quinta-feira, em Luanda, a sua experiência, enquanto artista, com mais de 60 crianças do Distrito Urbano do Kilamba Kiaxi.
O encontro decorreu no Palácio de Ferro, no âmbito das “Oficinas Criativas” da III Trienal de Luanda que tem como objectivo transmitir o legado dos artistas aos jovens.
Na ocasião, Walter Ananás referiu que “a Trienal de Luanda é um dos caminhos que ajudarão a construir mentes sãs e equilibradas.”
Durante o  encontro, o músico abordou com as crianças (de 5 a 7 anos de idade) a importância da conservação dos valores morais, que, segundo o artista, tem sido deixada em segundo plano. “Se não existir um investimento hoje, essas crianças poderão perder a essência da sua fase”, reforçou.

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